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domingo, 15 de novembro de 2009

DEPRESSÃO, UM MAL HÁ SÉCULOS

A depressão é uma doença que se caracteriza por um estado de humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia ou sensação de vazio, e pela redução na capacidade de sentir satisfação ou vivenciar prazer. Apresenta causas múltiplas, como fatores genéticos, neuroquímicos, ambientais, sociais e pesicológicos.

Estima-se que cerca de 120 milhões de pessoas no mundo sofrem desse quadro de desordem psiquiátrica, que se encontra em quarto lugar entre as doenças no último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), com perspectivas de alcançar o segundo lugar em 2020.

Embora seja tratada por muitos como o mal do século, a depressão não é uma doença exclusivamente pós-moderna, sendo abordada, inclusive, por inúmeros filósofos ao longo da história da humanidade.

Na Antiguidade, já havia entre os gregos a idéia moderna de que as doenças da mente se conectam a disfunções corporais. A melancolia - denominação primeira do que hoje se entende por depressão - era diagnosticada por observação clínica, em detrimento de explicações mitológicas. Hipócrates, no século V a.C., definia a melancolia como uma afecção sem febre, na qual o espírito triste permanece sem razão fixado em uma mesma idéia, constantemente abatido, definição que se assemelha à dos quadors depressivos atuais. Para Aristóteles, os melancólicos eram pessoas que tinham mais espírito que as demais.

Na Idade Média, a ascenção do Cristianismo promoveu uma alteração na perspectiva das doenças mentais, agora associadas ao sobrenatural, à supertição e ao misticismo. Segundo Santo Agostinho, o homem é um ser diferente dos demais, pois dotado de razão. A perda dessa razão é um desfavor de Deus, a punição para uma alma pecadora. Portanto, a melancolia era um afastamento de tudo que era sagrado, sendo considerada até mesmo um pecado punido pela Inquisição.

Na Idade Moderna, a melancolia era definida principalmente pela presença de idéias delirantes. Nessa época, vários foram os contrastes entre os pensadores europeus, sendo até mesmo considerada por alguns como uma doença e uma qualidade da personalidade que indicava profundidade. Na Itália, Marsilio Ficino foi o filósofo que mais discutiu a depressão, definindo a melancolia como um fenômeno presente em todos os homens, em razão do seu anseio pelo grande e o eterno. Dizia que todo gênio é um melancólico. No século XVII, René Descartes inaugura o racionalismos moderno, segundo o qual o universo é explicado de forma mecânica e matemática. Nesse contexto, surge a convicção de que a razçao humana é capaz de conhecer a origem, as causas e os efeitos das paixões e das emoções, governadas e dominadas pela vontade orientada pelo intelecto. O dualismo cartesiano - dicotomia entre corpo e mente - promoveu uma mudança na perspectiva da depressão: a doença é aspecto físico; a mente, distinta do cérebro, apresenta dúvidas e inconsistências, mas não a doença. Novos sintomas passam a ser considerados, como a tristeza, amargor, gosto pela solidão e imobilidade.

Ainda na Idade Moderna, o século XVIII caracterizou-se pelo advento do Iluminismo, movimento de acelerado desenvolvimento da ciência e fé no poder da razão humana, que seria capaz de promover um progresso sem limites. Nesse contexto, surgem as primeiras teorias que fundamentam os pensamentos atuais, como as concepções de que as doenças mentais são hereditárias e de que a melancolia constitui uma alteração da função nervosa e não dos humores. O Romantismo, movimento de reação à razão apregoada pelo Iluminismo, promove a defesa do sentimento, imaginação e da mente voltada para o sulime, magnífico e comovedor. A depressão novamente se torna desejada. Para Immanuel Kant, o sublime sempre fora acompanhado por algum terror ou melancolia; na visão de Arthur Schopenhauer, o depressivo vive simplesmente porque tem um instinto básico e o trabalho constitui uma forma de dsitração dos homens de sua depressão essencial. Soren Kierkegard - precursor do Existencialismo - encarava a humanidade como melancólica.

No século XIX (marcado por descobertas na biologia, física, química, anatomia, neurologia e bioquímica), as doenças mentais - inclusive a depressão - foram relacionadas com patologia orgânica do cérebro e passaram a ser medicalizadas. Para Foucault, essa medicalização constitui parte de um plano de controle social; para Friedrich Nietzche, Deus está morto e nós que o matamos.

Finalmente, Na Idade Contemporânea, ocorreram progressos científicos em torno da compreensão e tratamento das enfermidades mentais, acarretando a consolidação da psiquiatria e modificações na forma de atendimento e assitência ao paciente psiquiátrico. Sigmund Freud definiu a melancolia como uma forma de luto que surge de uma sensação de perda da libido, tornando o ego pobre e vazio. Em 1950 houve a descoberta dos antidepressivos, a partir de pesquisas, ainda não conclusivas, acerca dos neurotransmissores que regulam as emoções.

Atualmente, a depressão, salvo exceções, é uma doença mental segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde e de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, recebendo hoje abordagens científicas, como a médica, a psicanalítica e a cognitivista, além das visões filosóficas e religiosas que ao longo da história da humanidade sempre permearam a questão.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O mal-estar na civilização atual

Ao me deparar com matéria do jornal “Estado de Minas”, por volta de duas semanas atrás, intitulada “Juízes marcados para morrer”, que expôs o fato de que os magistrados estão sendo assassinados ou ameaçados de morte por criminosos, em retaliação a condenações, foi inevitável lembrar da obra de Sigmund Freud, “O mal-estar na civilização”, escrita em 1929, e de que como ela, lida no contexto atual, pode explicar o fenômeno de guerra que se vive dentro da sociedade moderna. Esta obra, ao apresentar como idéia principal a discussão da repressão que é imposta pela sociedade, demonstra que o homem, por ser naturalmente agressivo, tende a querer se libertar deste estado de repressão, destruindo o meio em que vive. Assim, enquanto o instinto de vida fundamenta-se na interação inserida na civilização, aproximando os indivíduos, o instinto de morte, ao contrário,ao agir de forma oposta, faz com que os indivíduos não vislumbrem uma felicidade concreta. Pode-se afirmar, portanto, que Freud conclui que o ser humano não pode ser feliz na civilização moderna, apesar de todo o desenvolvimento científico e tecnológico, já que ele afirma que o objetivo da civilização não é a felicidade, mas a renúncia a ela. Esta afirmativa é feita a partir da constatação do fato de que, o indivíduo, ao buscar constantemente a satisfação do prazer, vê a impossibilidade de sua realização, perante a enorme repressão social.
A partir da matéria citada, nota-se, através da obra de Freud, que apesar do desenvolvimento e da melhoria de algumas condições sociais, como da expectativa de vida, saúde, analfabetismo e alguns recursos, em geral, o mal-estar na civilização persiste, acarretando este fenômeno de guerra civil, em que alguns tentam fazer justiça com as próprias mãos e outros consideram como inimigos aqueles legitimados para garantir os direitos individuais e coletivos. Assim, relendo o que Freud escreveu, no contexto atual, torna-se claro que o mal-estar vivido pela sociedade assume novas formas, relacionadas às condições sociais e econômicas experimentadas na modernidade.
O que Freud definia como as doenças psíquicas de sua época, causadas pela repressão que a civilização exerce sobre os impulsos sexuais, hoje são caracterizadas pela insegurança do indivíduo diante do meio social, a exemplo do grande índice de desemprego. Portanto, estas doenças eram causadas, segundo Freud, pelas restrições à sexualidade. Como vivemos atualmente em uma época de liberdade sexual, não se pode afirmar que as causas das doenças são as mesmas, mas também não se pode afirmar que elas desapareceram, a exemplo do aumento de casos de depressão, síndrome do pânico, traumas por roubo, seqüestro, e de acordo com a matéria exposta, de traumas pela punição e repressão.
Conclui-se que, outro fator relevante para o mal vivido pela sociedade atual pode ser caracterizado pela falta de valores da mesma. Reiterando a importância da retomada dos valores da época de Freud, talvez fenômenos como o explicitado na matéria abordada existiriam em uma proporção insignificante, e o mal-estar da civilização atual não fosse uma condição inerente ao homem moderno.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Banalização da Vida e da Violência

A sociedade atual vive o drama da “banalização da vida”, termo que pode apresentar duas acepções que monopolizam o uso da expressão. A primeira acepção vem com o conceito de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal. Nela, a vida é um valor absoluto e utilizá-la como um instrumento, um meio para se alcançar fins de poder, prestígio ou gozo alheios ao seu possuidor consiste em uma violação aos direitos humanos. A segunda acepção acredita que a banalização da vida é muito mais que “instrumentalizá-la”, consiste também no fato de desatá-la dos vínculos transcendentes que garantem seu valor e sentido.

Banalizar a vida quer dizer instrumentalizá-la, mas para finalidades irrisórias, pois há casos nos quais a instrumentalização da vida para fins exteriores à pura sobrevivência é moralmente justificável. Se uma pessoa se dispõe a morrer na defesa de princípios éticos, raramente isso é visto como banalização da vida, mas ao contrário, é visto como coragem, nobreza, em suma, como um sinal de virtude.

Jurandir Freire Costa pontua que com a presente crise de transcendência, a vida perdeu o seu secular centro de gravidade valorativa, representado pela religião, pela política e pela moral privada familiar, que em tempos passados atribuíam à vida um caráter absoluto, inviolável. Hoje, o sentido e o valor da vida são atribuídos pelos indivíduos por um critério pessoal, que ocasiona, muitas vezes, uma desvalorização da vida atrelada à valorização da violência.

Diariamente somos confrontados com notícias dos mais atrozes atos de violência que apontam para um total desrespeito à vida: pais que abusam sexualmente dos filhos, adolescentes assassinadas por ex-namorados, prática de tortura contra homossexuais, crianças exploradas para o trabalho infantil, presos vítimas de abuso de autoridade, mulheres estupradas, e as razões de agir de cada um são sempre peculiares. O mal parece encontrar justificativas na própria sociedade: culpam a desigualdade social, os abusos sofridos durante a infância, a má distribuição de renda, os “pré-conceitos” trazidos de geração a geração e que são incorporados pelos indivíduos que integram a sociedade. Mas muitas vezes, o mal parece mesmo ser inerente ao homem e não depender de nenhuma justificativa para a sua prática.

O filme “Laranja Mecânica” expõe essas duas formas distintas de violência, cada qual com suas origens e conseqüências. Existe a violência do indivíduo, ancestral e intrínseca no ser humano quando não reprimida pela convivência social, e existe a violência do Estado, institucionalizada, amparada pela Lei e justificada pela manutenção do status quo e controle do coletivo.

Em “O mal-estar na civilização”, de 1930, Freud sustenta que o ser humano é, na sua essência, agressivo, afirmando que, “os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade”.

Essa tendência natural do homem à agressividade mútua é o grande obstáculo à civilização, tendo ela de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos do homem e manter suas manifestações sob controle. É o processo civilizatório que inibe o instinto de agressividade, através de um processo que se assemelha à domesticação de certas espécies animais.

Freud afirmava que os sonhos são uma produção psíquica que resultam de um processo de condensação e deslocamento, envolvendo a manifestação de nossos desejos. Com a Psicanálise, através do estudo dos sonhos, ele constatou que “nós próprios achamo-nos sujeitos, mais intensa e freqüentemente do que suspeitamos, à tentação de matar alguém”. Citando Frazer, Freud sustentou a tese de que a lei, como conseqüência do processo civilizatório, “apenas proíbe os homens de fazer aquilo a que seus instintos os inclinam; o que a própria natureza proíbe e pune, seria supérfluo para a lei proibir e punir. Por conseguinte, podemos sempre com segurança pressupor que os crimes proibidos pela lei são crimes que muitos homens têm uma propensão natural a cometer.”

O direito e a lei surgem, então, como instrumentos que estabelecem modelos de conduta, regras a serem respeitados. Manoel Torralbo Gimenez Júnior sustenta que para que a transição da violência ao Direito possa se efetuar, a união da maioria deve ser pautada pela estabilidade, organizando-se a comunidade para estabelecer regras e instituir autoridades para garantir o respeito a essas leis. Desse modo, Freud pondera “que a solução violenta de conflitos de interesses não é evitada sequer dentro de uma comunidade”, não havendo como a força real ser substituída pela das idéias.

O que constatamos é que, apesar de contarmos com um extenso arcabouço jurídico, dotado de normas que visam à proteção dos bens jurídicos, e prevêem sanções àqueles que as transgridem, a violência é exercida de maneira espontânea, irracional e emocional pelos indivíduos. Diante dessa banalização da vida e da violência, a sociedade atual vem demonstrando uma necessidade de símbolos que mostrem que a vida é segura, que o sistema funciona, que o crime não compensa. Entretanto, o que se percebe é que não há perspectivas de comportamentos socialmente compensatórios e vantajosos para os indivíduos, antes pelo contrário, parece que a equação custo-benefício tem se mostrado conselheira do mal.



sábado, 10 de outubro de 2009

O outro lado da gula: a bulimia

Comer e beber é essencial não só para a saúde humana, já que o homem precisa se alimentar para sobreviver, mas também para a sua alegria, na medida em que é um prazer. Na antiguidade, as pessoas se reuniam para comer e celebrar, essa situação é até mesmo retratada no livro O Banquete, de Platão, contexto em que é feita uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor. Além disso, Sócrates era um bebedor de renome, conhecido por permanecer sóbrio mesmo quando todos os outros já estavam completamente embriagados, o que era possível porque o filósofo afirmava conhecer seus limites e nunca ultrapassá-los, podendo ser considerado como personificação da virtude da temperança, que se opõe à gula.

A gula, que pode ser caracterizada pela busca inconstante e incontrolável de prazer no beber e no comer, começou a ser encarada como preocupação social apenas a partir do século VI e sua fama como pecado foi imposta pelo Papa Gregório Magno; combatia-se o culto aos prazeres da boa mesa para evitar a fome em massa e o paganismo.

Hoje o objetivo é mostrar um outro lado desse pecado capital: a bulimia. Nos casos de bulimia nervosa, a gula é levada ao extremo; a pessoa tem episódios freqüentes de ingestão alimentar compulsiva e, logo depois, a falta de controle sobre o comportamento de comer faz com que o indivíduo se sinta culpado e, para compensar o exagero, faça longos períodos de jejum, induza vômitos, use laxantes, diuréticos e pratique exercícios físicos de forma excessiva.

Freud, criador da psicanálise, concluiu que a vontade de comer e o desejo por sexo são controlados pelo mesmo comando cerebral; o impulso nervoso que ativa a fome seria o mesmo que desperta a libido. Entretanto, a sociedade vem impondo padrões de beleza cada dia mais difíceis de serem alcançados por meio de uma alimentação saudável e balanceada. Na busca pelo corpo ideal, homens e mulheres recorrem a métodos cada vez mais extremos e perigosos para a sua saúde, que podem até mesmo levar a morte. Na sociedade contemporânea, comer deixou de ser um prazer, se tornando uma simples necessidade corporal que, para alguns, deveria até mesmo ser dispensável.



Mas não será que o pior pecado é a Luxúria?


domingo, 27 de setembro de 2009

Freud explica?

Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Lascivia pode ser caracterizado como um comportamento desregrado com relação aos prazeres do sexo. Já a libido (do latim, significando "desejo" ou "anseio") é caracterizada como a energia aproveitável para os instintos da vida. De acordo com Freud, o ser humano apresenta uma fonte de energia separada para cada um dos instintos gerais.
As regras que regem a sociedade e os impulsos humanos sempre foram conflituosos. Nossos impulsos, muitas vezes irracionais podem determinar nossos pensamentos, ações, sonhos e são capazes de fazer aflorar no ser humano várias das suas necessidades básicas que foram reprimidas, como o instinto sexual. Já Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos, que podem também estarem reprimidos : a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo, e a libido dominendi, desejo de dominar.
Perante essa exposição podemos passar para a verificação da relação entre esses desejos e o “mal” que aterrorizou e aterroriza a humanidade. O “mal” ,dessa forma, sempre está correlacionado com o desejo de um ser humano, seja ele material, sexual, ou sobre qualquer outra manifestação. O que leva um indivíduo como Adolf Hitler a exterminar 6 milhões de pessoas nada mais é que um desejo de ser soberano, de se glorificar a “suposta” raça pura ariana. O que leva um homicida a matar, nada mais é que um desejo, que pode ter sido reprimido em sua infância, e que só dessa forma conseguiu se livrar ou satisfaze-lo. O que leva um indivíduo a praticar a pedosexualidade ( também conhecida como pedofilia), nada mais é que um desejo sexual reprimido causado por um desvio mental no qual se busca a satisfação de sua lascívia por meios censurados pela sociedade.
Até na Mitologia podemos ver um exemplo em que o desejo de um homem causou uma das mais homéricas guerras, a Guerra de Tróia. Nessa guerra, Menelau, esposo traido de Helena, à qual fugiu com Páris para a cidade de Troia, mobilizou centenas de naus numa guerra que matou e escravizou milhares de pessoas, para recuperar a sua esposa Helena. Tudo isso pelo desejo manifestado de Páris por uma mulher que não lhe pertencia, traindo assim o desejo de Menelau de manter a sua esposa ao seu lado.
Desde os primórdios da civilização o homem quis ter ou ser o que o outro tem ou é, seja no campo afetivo quanto material. Estabeleceu relações de poder, daí as formações das guerras, das traições e outras manifestações que põem em risco a estabilidade tão almejada entre as pessoas. A religião e moral da sociedade também ajudam nesse processo de fazer os desejos reprimidos virem à tona. Muitas atitudes censuradas, seja pela religião , seja pela moral da sociedade, podem ser desmascaradas ao se depararem com situações fáticas que exijam de nós um comportamento segundo essas regras, e quem deixa o desejo falar mais alto e vai contra esse sistema politicamente correto, pode acabar tendo atitudes não esperadas pela sociedade, tornando-se um homicida, um estuprador ou qualquer outro ser humano desvirtuado por um desejo que sempre esteve reprimido, mas que de alguma forma conseguiu se manifestar da pior maneira possivel.
Concluindo, afirmo que o mal na humanidade é o desejo, que de forma reprimida e mal intencionada pode causar danos irreparáveis e desastrosos à toda sociedade
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Até que ponto o mal é mal e o bem é bem?

Inicialmente devemos ter em vista os apontamentos de Sigmund Freud em sua obra “O mal estar na civilização” acerca das relações entre as pessoas, em que o mesmo retrata o interesse como base das relações humanas. Tomemos um casal de namorados extremamente apaixonados como exemplo. Esse casal provavelmente se casará e os interesses com certeza serão a base dessa relação, sendo estes: a boa companhia proporcionada, a amizade, a complementação afetiva e a realização de vontades através da relação sexual. Entretanto podemos possuir relações em que os interesses sejam tanto de caráter positivo quanto de caráter negativo, tendo como base as convenções sociais.

Ao analisar os três eventos de nossa enquete, provavelmente teremos diferentes pontos de vista quanto ao mal ocorrido. Analisando os Campos de Concentração Nazistas, como o de Auschwitz, diríamos que foi algo desumano, ou seja, uma barbárie. Entretanto apesar de todo o mal praticado, houve um grande avanço nos estudos referentes à genética. Avanços estes que somente foram possíveis devido aos experimentos conduzidos com os povos judeus e demais prisioneiros dos campos. A Bomba de Hiroshima, por sua vez, causou milhares de mortes e levou várias pessoas a adoecer com a poluição da poeira nuclear residual. Porém não teríamos hoje a energia nuclear das usinas, caso não tivesse sido desenvolvida essa tecnologia, uma vez que ambas foram desenvolvidas conjuntamente. Já o atentado terrorista de 11 de setembro ao World Trade Center chocou toda a população mundial com a brutalidade na qual foi exercido, mas todo o choque causado resultou em um grande crescimento econômico, estabelecendo os Estados Unidos da América como líder incontestável da economia mundial nos meses e anos que se seguiram.

Tendo esses aspectos como base de raciocínio, pode-se evidenciar que o mal sempre existirá, contanto que sempre exista o bem. O que representa o mal ou o bem sempre dependerá de uma análise do interesse em jogo e do referencial adotado como base, assim como nas ciências exatas se faz necessário à adoção de um referencial para se definir conceitos e teorias. Dentro das ciências exatas, bem como da ciência mãe que é a filosofia, a incerteza será sempre um mal, pois irá gerar a insegurança de uma teoria, entretanto essa incerteza também será sempre um bem, uma vez que ela será o motor de novas buscas e afirmação de novas teorias.

A morte tem um aspecto curioso que não podemos deixar de mencionar. Ela sempre terá o mal em sua essência, sendo esta o fim da vida e fonte de sofrimento. Mas também poderá ser uma fonte de riqueza e de poder, como ocorre no regime absolutista de governo. O falecimento do rei implica em renovação, transferência do poder de governar e da riqueza do pai para o filho, bem como ocorre na sucessão das famílias em geral. Dessa forma, a morte pode também ser fruto do interesse alheio. Foi mencionada acima uma reflexão acerca da incerteza, sendo esta enorme fonte de angustia do ser humano. Entretanto mesmo a morte possuindo seus diversos aspectos negativos, será esta a única certeza do ser humano. Após essa exposição poderíamos parafrasear a tão famosa expressão atribuída a Sócrates, sendo esta “Só sei que nada sei” para Só sei que irei morrer.

Por fim, se analisarmos todos esses apontamentos feitos, chegamos à conclusão que o mal nunca será absoluto e sempre terá uma relação direta com o bem. Cumpre observar que o mal surge para que possa ser superado pelo bem.
Um terrorista sequestra 20 pessoas em um shopping e as esconde dentro de uma sala. Nesta sala os reféns encontram-se amarrados à explosivos de grande capacidade destrutiva. Os agentes policiais recebendo o chamado prontamente se dirigem ao shopping. Ao chegar ao local estabelecem contato com o terrorista, que demanda várias exigências a serem cumpridas para a liberação dos reféns vivos, entretanto em nenhum momento conseguem ver quem está ao telefone. O comandante da operação dada a situação de grande perigo decide ordenar a invasão e acaba por prender um rapaz com as mesmas características que foram apresentadas na ligação anônima denunciando o delito, entretanto não encontram os reféns. Posteriormente a captura, começam então os policiais a perguntar ao rapaz aonde estavam os reféns. Nenhuma resposta é encontrada, uma vez que o rapaz recusava a dar as informações, sob a alegação de que não era o terrorista e portanto não sabia a localização do cativeiro. O comandante diante das alegações do jovem tenta estabelecer contato com o telefone, o qual antes o terrorista vinha utilizando, mas a ligação não é atendida. Tendo em vista o prazo estabelecido pelo terrorista, a situação começa a se agravar diante da iminente explosão caso não sejam encontrados os reféns. O Comandante nesse momento se depara com um dilema moral, filosófico e legal:

Deve torturar o rapaz em busca das informações abandonando assim o respeito à dignidade humana, sobrepondo o comunitarismo em face do liberalismo, ou até mesmo praticando um ato ilegal, que resultará na salvação de muitas outras vidas? O que você faria?

Em que momento um ser humano realizou o ato mais cruel?

Qual é o pior dos sete pecados capitais?

Qual sua opinião a respeito da legalização do uso de drogas?