sábado, 10 de outubro de 2009

O outro lado da gula: a bulimia

Comer e beber é essencial não só para a saúde humana, já que o homem precisa se alimentar para sobreviver, mas também para a sua alegria, na medida em que é um prazer. Na antiguidade, as pessoas se reuniam para comer e celebrar, essa situação é até mesmo retratada no livro O Banquete, de Platão, contexto em que é feita uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor. Além disso, Sócrates era um bebedor de renome, conhecido por permanecer sóbrio mesmo quando todos os outros já estavam completamente embriagados, o que era possível porque o filósofo afirmava conhecer seus limites e nunca ultrapassá-los, podendo ser considerado como personificação da virtude da temperança, que se opõe à gula.

A gula, que pode ser caracterizada pela busca inconstante e incontrolável de prazer no beber e no comer, começou a ser encarada como preocupação social apenas a partir do século VI e sua fama como pecado foi imposta pelo Papa Gregório Magno; combatia-se o culto aos prazeres da boa mesa para evitar a fome em massa e o paganismo.

Hoje o objetivo é mostrar um outro lado desse pecado capital: a bulimia. Nos casos de bulimia nervosa, a gula é levada ao extremo; a pessoa tem episódios freqüentes de ingestão alimentar compulsiva e, logo depois, a falta de controle sobre o comportamento de comer faz com que o indivíduo se sinta culpado e, para compensar o exagero, faça longos períodos de jejum, induza vômitos, use laxantes, diuréticos e pratique exercícios físicos de forma excessiva.

Freud, criador da psicanálise, concluiu que a vontade de comer e o desejo por sexo são controlados pelo mesmo comando cerebral; o impulso nervoso que ativa a fome seria o mesmo que desperta a libido. Entretanto, a sociedade vem impondo padrões de beleza cada dia mais difíceis de serem alcançados por meio de uma alimentação saudável e balanceada. Na busca pelo corpo ideal, homens e mulheres recorrem a métodos cada vez mais extremos e perigosos para a sua saúde, que podem até mesmo levar a morte. Na sociedade contemporânea, comer deixou de ser um prazer, se tornando uma simples necessidade corporal que, para alguns, deveria até mesmo ser dispensável.



Mas não será que o pior pecado é a Luxúria?


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Avareza como base da atual política e sociedade


Quando se abre o jornal, o que mais se vê são escândalos políticos em que se observam os nossos representantes usando de seu cargo, sua posição, para ganhar vantagens. Ou quem não se lembra do escândalo dos atos secretos, ou o dos cartões corporativos, ou ate mesmo do mensalão, sem falar nos outros pelos quais o país já passou e os que ainda não foram descobertos? Vive-se hoje no Brasil a era da avareza na política, já que o que se vê em nossos representantes é uma desordenada ambição pelo dinheiro e uma cobiça por quaisquer bens.

Os políticos se esqueceram do porquê de eles terem sido colocados no poder, que é o fato de que eles devem agir de acordo com o que for melhor para a população. Entretanto, o que se observa é uma grande disparidade – por um lado, cortes feitos para investimento nas áreas básicas como saúde, educação, saneamento básico, habitação; por outro, a máquina pública gastando cada vez mais consigo mesma como, por exemplo, as inúmeras vantagens que o nosso senado recebe como auxílio moradia, verbas-indenizatórias, serviços gráficos, entre outros.

São Tomás de Aquino, em seu livro De Malo, questão 13, artigo três, fala que a avareza possui sete filhas: a traição, a fraude, a mentira, o perjúrio, a inquietude, a violência e a dureza de coração. Por exemplo, ao se preocupar tanto com os bens materiais, você começa a desconsiderar o outro, o que faz você ter dureza de coração. Ou quando você só pensa naqueles bens e sua vida fica em função de protegê-los para ninguém roubá-los, você fica inquieto. E como você vai conseguir esses bens: por meio da fraude, mentira, se for juramento, perjúrio e até mesmo pela violência.

É assustador ver, muitas vezes, os nossos políticos fazendo uso dessas filhas da avareza, e o que se observa com maior apreensão, é que esses são muitas vezes reflexo da atual sociedade em que o dinheiro e os bens têm prioridade em face do próprio ser humano e o que se tem é um mundo em que “ninguém está nem ai pra ninguém”, o importante é: eu enriquecer nem que pra isso eu tenho que destruir o outro.

A solução é simples: os políticos em vez de se preocuparem em se beneficiar, deveriam se preocupar em procurar melhorar as condições da população, essa também deve se lembrar que o mundo não é só ganhar, mas também de doar, de ser generoso, de pensar muitas vezes no seu vizinho. Temos que procurar um meio termo, senão, não só politicamente, o que já está ocorrendo, mas socialmente vamos ser extintos.

Mas a gula não seria pior?


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A preguiça na história da humanidade



Na Grécia antiga, o ócio era mais valorizado que o trabalho, sendo considerado como algo a ser alcançado e desfrutado. Segundo Aristóteles, o ócio era o estado de estar livre da necessidade de trabalhar; e a capacidade de vivê-lo devidamente era a base do homem livre e feliz. A idéia de ócio, na cultura grega, permitiu a divisão da sociedade em duas classes de homens: os escravos e os dedicados à arte, à contemplação ou à guerra. Ao homem de pensamento, era reservado o tempo livre, o ócio com dignidade, utilizado para a elevação e emancipação, para a contemplação do belo, para a discussão em torno do útil e do justo. Aos escravos, que não eram considerados como pessoas, era reservado todo o trabalho. Portanto, a organização e comando da polis cabiam aos cidadãos, que eram proibidos de exercer o trabalho braçal, pois eles deveriam ter tempo livre, para se dedicar à reflexão e ao exercício da cidadania do bom-governo.
Contrário à cultura grega, o Catolicismo, melhor expresso pelas idéias de São Tomás de Aquino, classificou a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizando-a como estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, aversão ao trabalho freqüentemente associada ao ócio, vadiagem. Na Bíblia Sagrada, principalmente no livro de Provérbios, constatam-se várias orientações para evitar a preguiça.
Com a reforma protestante, apesar dos questionamentos contra a Igreja Católica, João Calvino e Martinho Lutero resgataram o conceito cristão de trabalho, afirmando que o homem teria a responsabilidade de cumprir a sua vocação por meio dele. De acordo com Calvino, “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus.”
Na tentativa de relacionar os ideais protestantes com a gênese do espírito capitalista, Max Weber afirmou que a consideração do trabalho como o mais alto instrumento de ascensão e o mais seguro meio de preservação da redenção da fé e do homem deve ter sido a mais poderosa alavanca da expressão dessa concepção de vida constituída pelo capitalismo.
Verifica-se, com base nessa breve análise histórica, que o trabalho foi sendo defendido em detrimento da preguiça com o passar dos anos e dos ideais que rondavam as sociedades. Nos dias de hoje, essa valorização do trabalho persiste e o preguiçoso, que não trabalha ou não desenvolve com empenho o seu trabalho, é visto como “vagabundo”.
Atualmente, é complicado concluir que a preguiça é o maior mal da humanidade. Apesar de ela causar lentidão no desenvolvimento das atividades da sociedade, como por exemplo, a morosidade processual, que segundo alguns advogados, é causada pela preguiça dos juízes; o trabalho também pode ser visto como um mal quando se constata que ele é a causa das misérias individuais e sociais vividas pela humanidade.

Preguiça...comum, mas o pior? E a avareza?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ira, o mais mortal dos Pecados


Ao contrário do que nos ensina o senso comum, os pecados capitais não surgem na bíblia. Tendo surgido mais de 300 anos após o novo testamento, os pecados capitais originariamente compunham uma lista das oito mais perigosas tentações da alma humana, criadas por Evagrius Ponticus nos desertos do Egito. Codificados apenas no ano 590, o Papa Gregório fez uma seleção do que conhecemos hoje como os sete pecados capitais.

Como o único pecado que pode levar realmente à morte, a Ira é talvez também o mais importante. Em várias passagens bíblicas, o próprio criador se mostra dominado por tal sentimento, o que leva a consequências desastrosas. Interessante citar três histórias, em que se pode perceber uma evolução deste pecado tão mortal.

Pode-se dizer que na “Gênesis” ninguém se mostra mais irado que Deus. No capítulo 6 Deus fica furioso contra sua própria criação e decide recomeçar: manda uma chuva terrível que perdura por 40 dias e 40 noites, com o intuito de inundar a terra e destruir toda e qualquer coisa viva, permitindo a sobrevivência de um único homem bom e sua mulher.

No capítulo 11, percebe-se um maior controle de Deus sobre sua fúria, que recai agora não sobre todos os seres, mas sobre a humanidade. Nessa passagem, os homens construíram a torre de Babel como uma tentativa de subir os céus. Deus, considerando a tentativa ofensiva, mostra sua fúria ao destruir a torre e espalhar as pessoas pelo mundo.

Já no capítulo 18, Deus se mostra furioso não com toda a humanidade, mas apenas com os moradores de Sodoma e Gomorra, tendo destruído as cidades e todos seus habitantes com fogo e enxofre descido do céu.

Também outras manifestações da Ira são encaradas como perfeitamente normais, intrínsecas ao ser humano, como as passagens do Êxodo, em que a de fúria de Moisés acaba não sendo punida por Deus.

Na Bíblia Cristã, no entanto, o pecado da Ira começa a ser visto de uma nova perspectiva: o Rei de Israel, ao saber da profecia sobre o nascimento de um novo rei dos judeus, se enche de fúria com a possibilidade de perder o trono e mata milhares de crianças inocentes, todos bebês da mesma idade que o menino rei e que se encontravam em Belém e seus arredores. A partir de tão odiosa conduta, a ira passa a ser vista aliada a um sentimento de repúdio.

Na tradição judaico-cristã imerge nova visão de pecado, principalmente da ira: Satã - uma figura vaga e sombria no velho testamento, mas um demônio extraordinário no novo. De acordo com a nova visão, só ele poderia fazer alguém cometer ato tão barbárie, tendo se tornado a fonte de todo o mal e pecado no mundo.

A figura de Satã se contrapõe a figura de Jesus, que encoraja seus seguidores a dar outra interpretação ao sentimento da Ira. Jesus ensina a seus fiéis a superar a vingança e a Ira, pois nem quando é torturado e crucificado se deixa influenciar por ela, pedindo sempre ao criador que perdoe aqueles que não sabem o que fazem.

Várias são as vertentes religiosas a respeito da ira. Algumas consideram como pecado o próprio sentimento, enquanto outras consideram assim somente suas consequências. Mas com relação ao pecador, pode-se dizer que praticamente todas concordam que aquele que não transforma sua ira está condenado ao inferno (levando em conta os diferentes conceitos de inferno).

Há quem creia ainda que a Ira tenha levado à internação do inferno na vida terrena: a guerra. Esta ligação (ira/guerra) aparece já na Ilíada de Homero, que é por excelência um cenário de manifestação do furor, da ira guerreira que campeou pela Grécia bárbara. A figura de Aquiles se projeta nesse cenário como o semideus que é toda uma representação dessa fúria, e nele se concentram os impulsos sexuais e agressivos. Por séculos a narrativa dessa guerra serviu para mostrar como as consequências da Ira são terríveis e devem ser evitadas.

É indiscutível que a Ira leva as pessoas a cometer "o mal".Ocorre que apesar de séculos nessa tentativa de controlar a Ira (conforme brevemente relatado), ela está presente todos os dias nos jornais, e até mesmo no cotidiano das pessoas. Além das guerras, inúmeros são os relatos de violência, agressões, assassinatos por motivo de vingança e crimes de paixão. É quando se percebe que a Ira continua a gerar consequências desastrosas à humanidade.



Enquanto para a vingança há sempre energia disponível, para combater consequências tão negativas, disponível está só a preguiça...



terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais bela do que eu?"



Quando crianças acreditávamos que os contos de fadas que assistíamos eram inocentes. Branca de Neve e Cinderela, por exemplo: elas têm o seu final feliz, casam-se com os príncipes de suas vidas. O que nos esquecemos de analisar é o percurso que as leva à ele. As respectivas madrastas tomadas pelo sentimento da inveja fazem de tudo para que tal felicidade não aconteça. E então? Serão esses contos apenas filmes infantis?


A inveja, segundo João Carlos Lino Gomes, é a tristeza diante da liberdade que o outro tem de ser feliz e de, nesse movimento mostrar a possibilidade de sua felicidade fracassada. Esse pecado só tem a possibilidade de realização no outro, porque em si mesmo não se completa, já que seu objeto não é individual. Segundo Aristóteles: “o homem é um ser político”; e como tal não vive apartado da sociedade, pois constitui sua essência o agrupamento.


Mas o indivíduo moderno entende o mundo como um espaço para desenvolver seus projetos de vida particulares. Estamos na era do individualismo, tentamos mitigar a natureza política intrínseca à nós, perde-se a noção do coletivo. Ainda segundo o filósofo clássico, o bem é o fim para o qual cada ação é praticada, e o bem maior da vida humana é a eudaimonia, traduzida por muitos como felicidade. Se a nossa felicidade depende da finalidade de nossa vida nunca poderemos alcançá-la através da inveja. O coletivo só é percebido quando no comparativo.


Nosso individualismo irracional faz com que ao mesmo tempo em que não precisamos dos outros, precisamos ser melhores que eles, ter as melhores coisas e nos sentimos melhores ao sermos invejados, pois se alguém nos inveja isso significa dizer que somos bons. Certo? Errado. Significa dizer que nunca seremos bons, se o bem for levado em consideração ao pensamento filosófico clássico. Também para Platão através da inveja não se atingiria o bem supremo, pois sua idéia de bem perpassa o justo, o correto. Faz-se necessário distinguir ser o melhor por motivos altruístas e ser o melhor por motivos egoístas (típicos da sociedade individualista calcada na inveja). O altruísmo pensa no bem comum, para todos, enquanto o egoísta só visa a si, e segundo Santo Agostinho este nunca prosperará.


Se a sociedade egoísta é impossibilitada de prosperar, assim também o é a inveja, parte característica dessa. Voltando aos clássicos, Aristóteles nos ensina à perseguir nossa essência, nossa finalidade para que possamos atingir o bem, importante dizer: NOSSA própria finalidade individual ou coletiva, mas nunca a do outro, uma finalidade que não nos pertence.


Voltando à nossa infância, pode-se quase que concluir que as madrastas (o mal) não consegue dominar sobre o bem (príncipes, princesas, heróis e heroínas) porque perseguem, por inveja uma finalidade que não lhes pertence.

Mas e a Ira? Seria ela tão aristotélica?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Minha imagem dá o brilho no cenário dos mortais"


O mito de Narciso personifica o pecado da vaidade. Ele era um jovem filho de um deus e uma ninfa, com uma beleza extrema, que preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedor do seu amor. Segundo a mitologia, Narciso, após desdenhar de seus pretendentes, foi amaldiçoado pelos deuses para amar o primeiro homem que olhasse. Enquanto caminhava pelos jardins de Eco, se deparou com uma lagoa onde viu o seu reflexo na água. Apaixonou-se tanto por si próprio, que inclinou-se cada vez mais para tentar alcançar aquela imagem, acabando por cair na lagoa e se afogar.
A vaidade, ou soberba, se traduz pelo sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogâcia, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais da sistematização. São Tomás de Aquino a definiu como a própria excelência, que se aparentemente é a aspiração a imitar a grandeza de Deus, realmente, é a transgressão da medida em que devemos desenvolver nossa elevação. Isso quer dizer que a pessoa busca a excelência pessoal, o que contraria a grandeza e a glória de Deus, se negando a servi-lo.
Atualmente, as atividades sociais estão muito influenciadas pela imagem pessoal. Em nenhum momento, é possível dissociar as pessoas da sua imagem e elas, muitas vezes, são julgadas, e até mesmo excluídas, por não se enquadrarem nos padrões estabelecidos como perfeitos. Esse fato acaba influenciando negativamente as pessoas, que passam a ser cada vez mais vaidosas, cometendo exageros para alcançar esse tão difícil fim da perfeição.
É incrível como muitas pessoas se submetem a sucessivas cirurgias plásticas de forma desnecessária, o que acaba por prejudicar sua saúde ou até levá-las à morte. É certo que muitas cirurgias de correção melhoram a qualidade de vida da pessoa, elevando sua auto-estima. Entretanto, critica-se o uso da cirurgia plástica como forma de reconstrução da imagem, o que torna as pessoas dependentes do instrumento cirúrgico como construtor da sua própria identidade.
Além disso, o excesso de vaidade causa uma segregação social, pois as pessoas tendem a se criticar mutuamente devido a pequenas diferenças. Por um lado, isso faz com que aqueles que não se preocupam muito com a imagem sejam vítimas de preconceitos. Por outro, a vaidade excessiva leva a quadros de nervosismo e depressão, pois as pessoas ficam tão fixadas na idéia da perfeição que desenvolvem transtornos mentais, como anorexia e outros distúrbios. Há um medo tão grande de engordar ou ser inferior aos outros, que as pessoas preferem as doenças e a cirurgias ao risco de ganhar peso ou se sentirem feias.




Será que é a vaidade? Não seria a inveja o pior?




domingo, 4 de outubro de 2009

A Igreja Católica e a sistematização dos pecados

A idéia de que existem atitudes positivas e negativas não surge com a classificação dos pecados capitais pela Igreja Católica, mas na cultura grega, destacando-se a filosofia aristotélica. Aristóteles teoriza sobre as virtudes morais, que são meio termo entre dois extremos: vício pelo excesso e vício pela falta. As virtudes aristotélicas não nascem com o homem, mas são adquiridas por meio do hábito e fazem com que ele desenvolva uma segunda natureza.

No século VI, o Papa Gregório Magno reuniu sete atitudes consideradas as mais reprováveis pela Igreja Católica, atitudes estas que significam a morte da alma e só podem ser perdoadas por Deus. São Tomás de Aquino, em seu livro Suma Teológica, sistematiza os Pecados Capitais e os classifica em ordem decrescente no que diz respeito à ofensa ao amor, sendo eles: Vaidade, Inveja, Ira, Avareza, Preguiça, Gula e Luxúria.

Vaidade: Mesmo que arrogância, caracterizada pela falta de humildade, pelo sentimento de auto-suficiência afirmando seu ego em oposição a Deus. A vaidade se contrapõe à virtude da humildade.

Inveja: Desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo. A virtude contraposta é a caridade.

Ira: Intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental e emotivo que conflita o agente causador da ira e o irado. A paciência é a virtude oposta a ira.

Avareza: Apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. A virtude é a generosidade.

Preguiça: Aversão ao trabalho, à falta de capricho, o desleixo, a lentidão e a recusa em se esforçar. A diligência se contrapõe à preguiça.

Gula: Busca constante e incontrolável por prazer no beber e comer. A virtude oposta é a temperança.

Luxúria: Apego e desejo descontrolado por prazeres carnais, também conhecida como lascívia. É a entrega descontrolada ao sexo em busca de prazer. A virtude contraposta é a castidade.

Embora classificados e enumerados pela visão moral e religiosa da Idade Média, os pecados ainda estão muito presentes na atualidade, provando que esse mal não foi restrito àquela época. O Vaticano, em pleno século XXI, ratificou os sete pecados e ainda acrescentou outros a lista, atualizando-a à realidade do mundo globalizado. São também considerados pecados capitais: manipulação genética, uso de drogas, desigualdade social, poluição ambiental, entre outros.

A sociedade contemporânea não está mais tão influenciada pelos dogmas da Igreja Católica, entretanto, os pecados ainda estão presentes na realidade do homem, influenciando cada uma de suas atitudes, geralmente de maneira negativa e produzindo o mal.

Nos próximos sete dias o blog irá tratar dessa influência negativa dos pecados, abordando temas comuns do nosso cotidiano.

sábado, 3 de outubro de 2009

Hannah Arendt e a banalidade do mal

Uma vez dada a nós a oportunidade de discutir sobre o tema do Mal na história da humanidade, necessária se faz uma exposição do assunto sob a ótica de uma das maiores teóricas do século XX, Hannah Arendt.

A notável teórica alemã tratou do tema de forma peculiar, até então impensável e, por isso, criticada por muitos à época.

Com a publicação do livro "Eichmann em Jerusalém", de 1963, que relatou o julgamento e enforcamento de Adolf Eichmann - criminoso burocrata que cometeu crimes de genocídio contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial - Hannah Arebdt polemizou o mundo, chegando a criar divergências entre os intelectuais da época e a própria comunidade judaica internacional, ao colocar seus pensamentos a respeito do fato.

Ao tentar explicar sua teoria sobre o Mal, Arendt classificou Eichmann - acusado de crime contra o povo judeu, contra a humanidade e de pertencer a um grupo organizado com fins criminosos - como um ser comum e não como um "monstro". Segundo ela, este homem, responsável pelo extermínio de milhares de judeus em campos de concentração, era apenas mais um que carecia da capacidade de pensar, sem a qualidade do "diálogo consigo mesmo". Ela alertava, logo, sobre o risco assumido pelo homem que deixa de ter essa comunicação consigo mesmo, ou seja, perde a capacidade de pensar, podendo, a partir daí, se tornar o ser mais perigoso, mais até do que os piores criminosos, na condição definida por ela como "a banalidade do mal".

Ainda segundo ela, e neste momento trazendo a reflexão sobre o mal a uma esfera mais genérica e atual, aqueles que não cometem crimes não o fazem, pois seriam incapazes de conviver com um criminoso, ou seja, eles mesmos. Este raciocínio é guiado pela moralidade socrática, que dizia ser melhor sofrer o mal do que o cometer, justamente pelo fato deste ultimo ato implicar na convivência eterna com o malfeitor.

Ou seja, os homens pensantes precisam e têm a companhia de si mesmos, enquanto que os que perderam a capacidade de pensar são capazes de qualquer coisa, sendo, portanto, os mais perigosos.

Pois bem, assim como os criminosos de Auschwitz foram considerados pela filosofa como seres que perderam a capacidade de pensar, tornando-se meras peças de engrenagem da máquina nazista, há indivíduos que, nos dias de hoje, agem dentro das regras do sistema a que pertencem sem racionalizar sobre seus atos. É o que ocorre, via de regra, no mundo ocidental, onde as pessoas, cada vez mais guiadas por metas capitalistas e individualistas, perdem a capacidade de reflexão consigo mesmas e de valorização do que realmente importa. São apenas peças de um grande sistema onde poucos possuem a qualidade do auto-conhecimento.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A origem do mal na filosofia de Rousseau

Natural de Genebra, Rousseau não conheceu a mãe, que morreu em seu parto.Influenciado por seu pai, que o criou, aprendeu a ler muito cedo, tendo sido aluno do professor Lambercier, de rígida disciplina moral e religiosa. Durante uma de suas saídas na adolescência, quando tentava voltar para sua cidade natal, encontrou os portões fechados, razão pela qual decidiu ser um viajante. Passou, então, por algumas cidades até chegar a Paris. Devido aos estudos feitos em música e filosofia, começa a ganhar destaque na cidade francesa, participando de jantares e discussões filosóficas frequentadas pela alta sociedade local.

Após breve elucidação sobre a vida do filósofo de origem suíça, passamos à discussão do mal em sua obra. Primeiramente, ressalta-se que o grande fator que chama a atenção do presente estudo não é que o autor se caracteriza como o único em seu tempo a discutir o problema do mal, e sim por ser aquele que modificou a visão da sociedade, propiciando um giro copernicano em relação à visão da igreja, que associava o mal à imagem do demônio ou do pecado. Não se pode negar que Rousseau comunga dessas ideias, mas podemos dizer, entretanto, que ele é o primeiro a relacionar o mal aos sentimentos individuais do ser humano. Para melhor expressar sua teoria, são criados dois personagens: Rousseau e Jean-Jaques (note-se aqui a dualidade do pensamento rousseauniano). Rousseau é o homem da sociedade, natural, enquanto Jean-Jaques é o outro eu sofredor, do qual Rousseau é o juiz.
Entretanto, como já explicitado no título do texto, o objetivo central do mesmo é demonstrar como Rousseau explicava a origem do mal. Para o filósofo: "a primeira fonte do mal é a desigualdade" (Carta ao rei da Polônia, 1751). A afirmação também pode ser comprovada através do seguinte trecho: “o homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto ele.” Observamos, então, que o filósofo em questão representou grande cisão com os valores tidos como corretos à época, sendo condenado por diversas vezes, passando a viver em grandes aventuras e perseguições. Acabou por morrer no castelo de Ermenonville. Certamente, Rousseau pode ser considerado alguém que acreditava na bondade natural do ser humano, que era desvirtuado pela sociedade.

Por fim, faz-se aqui uma conexão com o texto do colega Alberto Serrano. Obviamente, a imagem do criminoso é criada pela sociedade. Entretanto, acredito que a visão rousseauniana se aplica a todo o contexto abordado em sua postagem. A sociedade cria o criminoso através da desigualdade (ou será que realmente acreditamos que o pobre aceitaria, de forma pacífica, ver diversas pessoas utilizando a tecnologia de ponta existente no mundo atual, sem tentar, de uma forma ou de outra, adquiri-la?) e acaba por discriminá-lo, prendê-lo, exclui-lo. Não se defende aqui a impunidade, mas a aplicação dos princípios positivados na celebrada Constituição Federal de 1988.


It's evolution.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Origem do Mal na Religião.

A origem do mal na visão da religião Católica, pode ser observada de diversos pontos de vistas diferentes, seja pela onisciência de Deus quando ele se coloca em dois lugares ao mesmo tempo, uma analogia com o “bem e o mal” poderia ser feita, Sendo ele o Bem e o Mal ao mesmo tempo ou por sua vez o criador de ambos. No programa da televisão Canção Nova, Padre Fábio de Melo uma outra visão é colocada quando ele responde a uma pessoa que pergunta sobre a origem do mal, especificamente sobre Lúcifer, se Deus não poderia perdoá-lo. Padre Fábio explica que lúcifer é um anjo que se rebelou contra Deus, não aceitou sua condição de criatura, e quis ser como Deus. Assim, Deus não criou o mal, mas nós é que o criamos em cada momento que optamos em nos afastar de Deus, por nossa própria vontade. Padre Fábio ressalta que o mais importante não é ficarmos preocupados com a origem do mal, mas devemos nos preocupar em impedir sua ação no mundo.

Segue vídeo de uma parte do programa.



http://www.youtube.com/watch?v=cTPK5XIzq_c

Um terrorista sequestra 20 pessoas em um shopping e as esconde dentro de uma sala. Nesta sala os reféns encontram-se amarrados à explosivos de grande capacidade destrutiva. Os agentes policiais recebendo o chamado prontamente se dirigem ao shopping. Ao chegar ao local estabelecem contato com o terrorista, que demanda várias exigências a serem cumpridas para a liberação dos reféns vivos, entretanto em nenhum momento conseguem ver quem está ao telefone. O comandante da operação dada a situação de grande perigo decide ordenar a invasão e acaba por prender um rapaz com as mesmas características que foram apresentadas na ligação anônima denunciando o delito, entretanto não encontram os reféns. Posteriormente a captura, começam então os policiais a perguntar ao rapaz aonde estavam os reféns. Nenhuma resposta é encontrada, uma vez que o rapaz recusava a dar as informações, sob a alegação de que não era o terrorista e portanto não sabia a localização do cativeiro. O comandante diante das alegações do jovem tenta estabelecer contato com o telefone, o qual antes o terrorista vinha utilizando, mas a ligação não é atendida. Tendo em vista o prazo estabelecido pelo terrorista, a situação começa a se agravar diante da iminente explosão caso não sejam encontrados os reféns. O Comandante nesse momento se depara com um dilema moral, filosófico e legal:

Deve torturar o rapaz em busca das informações abandonando assim o respeito à dignidade humana, sobrepondo o comunitarismo em face do liberalismo, ou até mesmo praticando um ato ilegal, que resultará na salvação de muitas outras vidas? O que você faria?

Em que momento um ser humano realizou o ato mais cruel?

Qual é o pior dos sete pecados capitais?

Qual sua opinião a respeito da legalização do uso de drogas?