quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Inimigo oculto



Segundo a psicóloga e fundadora do Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS) Marilda Lipp, o stress pode ser definido como “O estado de tensão que causa uma ruptura no equilíbrio interno do organismo", assim, ele envolve um conjunto de manifestações fisiológicas, comportamentais e emocionais provocadas por situações que ameaçam a integridade física ou psíquica do indivíduo.
Dessa forma, além do transtorno individual há também conseqüências no âmbito das relações sociais e profissionais.
Contudo, deve-se levar em consideração que há níveis saudáveis de stress e que sua completa ausência acarretaria na própria morte do individuo, por exemplo, a sobrevivência de um animal estaria comprometida caso ele permanecesse apático diante do seu predador. O mesmo aconteceria com o ser humano se, diante de uma situação de perigo, o seu organismo não respondesse de maneira rápida e apropriada. Portanto, o stress “normal” é fundamental no que concerne à capacidade do organismo de se adaptar às diversas situações de desestabilidade externa (morte e nascimento, realização de um grande sonho, divórcio) e interna (crenças, valores, características pessoais, padrão de comportamento, vulnerabilidades).
É importante ressaltar que a necessidade de adaptação do ser humano diante de situações adversas não é novidade, porém nunca se vivenciou uma era em que essa capacidade fosse tão exigida e em lapsos temporais cada vez menores. Essas situações estão em toda a parte; mudanças importantes na tecnologia, na ciência, medicina, ambiente de trabalho, nas estruturas organizacionais, nos valores e costumes sociais, na filosofia e mesmo na religião colocam as pessoas, cada vez mais jovens, diante de fatores que propiciam a cronicidade do problema e de suas conseqüências.
Pesquisas mostram que, no Brasil, o stress ocupacional atinge aproximadamente 70% dos trabalhadores e, dentre eles, 30% estão na sua fase mais avançada (exaustão). Na esfera internacional o problema também se mostra bastante significativo, já que de 50% a 60% do absentismo nas empresas e instituições na União Européia são provocados por problemas relacionados com o Stress, afetando cerca de quarenta milhões de trabalhadores.
Freqüentemente, o ser humano responde aos fatores estressantes manifestando uma irritabilidade excessiva, sensação de incompetência, ansiedade e tensão muscular.
Sendo assim, pode-se notar que o stress também produz efeitos no âmbito jurídico, uma vez que, por afetar as relações de trabalho, faz-se necessária a tutela do Direito do Trabalho, por exemplo, é causa de faltas no serviço, pode gerar a necessidade de uma eventual licença saúde, pode diminuir a produção e, consequentemente a remuneração (caso de pessoas que recebem comissões), etc. Além disso, se verifica a relação entre stress e demais ramos do direito, haja vista que, não esporadicamente, há relatos de pessoas que perdem o controle e acabam agredindo e até mesmo matando outras por motivos aparentemente fúteis, como uma fechada no trânsito (Direito Penal). Pode ocorrer também a necessidade de ressarcimento por um eventual dano causado por um descontrole momentâneo motivado pelo stress (Direito Civil). Pode-se perceber que os exemplos são vastos, porque o stress afeta diretamente as relações humanas e o Direito possui justamente a finalidade de regulá-las.
Cientificamente falando, o stress se divide em quatro fases: alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão. A primeira é considerada a fase “positiva” do stress. O organismo produz adrenalina, que deixa o indivíduo cheio de energia e vigor, libido alta, dificuldade de dormir, respiração mais ofegante que o normal e humor eufórico. Se a causa do stress é eliminada logo, a pessoa volta a seu equilíbrio normal sem nenhum problema. Já a segunda fase, se manifesta devido ao prolongamento dos fatores que desencadearam a primeira. Assim, a pessoa automaticamente tenta lidar com os seus estressores de modo a manter seu equilíbrio interno. Muitos dos sintomas da fase de alerta desaparecem, dando lugar a uma sensação de desgaste e cansaço. Dificuldade de memória é algo comum nesse estágio. A quase-exaustão é caracterizada pelo enfraquecimento do indivíduo, que não mais está conseguindo se adaptar ou resistir ao fator estressor. Neste período, o processo de adoecimento se inicia e os órgãos que possuírem maior vulnerabilidade genética ou adquirida passam a mostrar sinais de deterioração. Embora apresentando desgaste e outros sintomas, a pessoa ainda consegue trabalhar e atuar na sociedade. No último estágio, a pessoa pára de funcionar adequadamente e, na maioria das vezes, não consegue trabalhar ou se concentrar. Podem ocorrer doenças graves, como úlceras, psoríase, infarto, dentre outros. A depressão passa a fazer parte do quadro de sintomas.
Por tais características e conseqüências supracitadas, podemos dizer que a ansiedade, gerada pela resposta do organismo às situações de risco, funciona como uma mola propulsora do estresse. Sendo assim, alguns autores consideram a era moderna como a Idade da Ansiedade.
Para saber se você sofre desse mal moderno basta responder os questionários abaixo e avaliar os resultados:
Teste 1: Assinale quantas vezes você percebeu os sinais abaixo na última semana
1- Que a tensão muscular na nuca lhe incomodava que o pescoço estava rígido.
2- Tão irritado que teve o impulso de ser indelicado ou rude com as outras pessoas por causa de provocação
3- Que, emsmo se alimentando de modo adequado, o estômago ardia com acidez
4- Teve vontade de sumir de tudo
5- Lapsos de memória
6- Sensação de incompetência ou de que não conseguiria lidar com as exigências do presente
7- Cansaço de manhã como se o corpo estivesse "pedindo cama"
8- Que estava repetindo coisas que já dissera ou pensando repetidamente no mesmo assunto, sem desligar
9 - Sensação de ansiedade, um receio vago, uma inquietude interior
10-
Que estava trabalhando em um nível de competência abaixo do seu normal.
Resultado: Some o número de itens para os quais atribuiu freqüência 04 ou mais.
Se não assinalou nenhum: parabéns. Seu corpo está em pleno funcionamento.
Se assinalou de 1 a 3: a vida pode estar um pouco estressante para você. Avalie o que está exigindo demais de sua resistência. Pode ser o mundo lá fora, pode ser você mesmo. Fortaleça seu organismo.
Se assinalou de 4 a 8: seu nível de stress está alto. Considere uma mudança de estilo de vida. Avalie em que medida seu modo de ser pode estar contribuindo para a tensão que sente .
Se assinalou mais do que 8: seu nível de stress parece estar muito alto. Procure a ajuda de um psicólogo. Você tem fontes de stress a seu redor e também em seu interior (seu modo de pensar, de sentir, de ser). Aprenda a identificar o que são pequenas coisas e a não se preocupar demais com elas
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Teste 2: Você responde o mundo com raiva?
1- Você se irrita com facilidade?
2- Você se considera uma pessoal temperamental?
3- Fica incomodado (a) com a lerdeza dos outros?
4- Fica furioso (a) quando é criticado (a)?
5- Quando vive uma frustração, tem vontade de quebrar objetos?
6- Fica muito irritado(a) quando não recebe o reconhecimento que gostaria de ter?
7- Costuma dizer com freqüência "Eu fiquei com raiva" ou "Me deu uma raiva"?
8- Perde a compostura em público e dá escândalo?
9- Ao ficar nervoso(a) e aborrecido(a), diz coisas desagradáveis e xinga?
Resultado: 50% ou mais itens com 'sim' Se o seu nível de stress foi considerado preocupante procure uma ajuda especializada. Seus parentes e amigos agradecem!!

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Homem, a raiz do mal.

Depois do post da Gabriela Freire me senti atraído para escrever um pouco sobre o estado de natureza de acordo com as idéias de alguns filósofos. A partir das concepções destes é possível visualizar que a origem do mal pode estar intimamente ligada à existência humana.


Hobbes


Inicio por Hobbes, um daqueles filósofos que afirmavam que a origem do Estado e/ou da sociedade é baseada num contrato. Os homens viveriam naturalmente sem poder e sem organização, a qual só surgiria depois de firmado um pacto por eles, estabelecendo, assim, as regras de convívio social e de subordinação política.

Para ele, quando não há um Estado controlador e repressor, o mais racional a se fazer é a guerra contra o outro, porque o homem sempre está a desconfiar do seu semelhante. Ele cita: “Se alguém planta, ou possui um lugar conveniente, é provável de se esperar que outros venham preparados para desapossá-los e privá-lo, não apenas do fruto do seu trabalho, mas também de sua vida e sua liberdade. E já que os homens são absolutamente iguais o invasor ficará no mesmo perigo em relação aos outros”.

Para este contratualista, o homem está geralmente em discórdia por causa da competição, a qual o leva a atacar o outro, visando o lucro. Além disso, está preocupado com a sua própria segurança e com sua reputação. Ou seja, enquanto não se tem um Estado, os homens não podem tirar prazer da companhia do outro, porque ainda não existe poder capaz de manter a todos em respeito. Assim, eles se encontram naquela condição a que se chama de guerra: todos contra todos.

Esta visão, chocante, é contrária aquela de Aristóteles, na qual o homem vive naturalmente em sociedade. Hobbes fundamenta que, se alguém confiasse tanto no outro homem, não fecharia a porta, mesmo quando está em casa e sabendo que existem leis e policias armados prontos para “vingar” qualquer injúria. Ou esta desconfiança seria acusar a humanidade?

Assim, as ideias de Hobbes resumem-se: na imutabilidade da Natureza humana, a qual não muda com o tempo, história ou vida social; na igualdade natural dos homens quanto às faculdades do corpo e do espírito; e na ideia de que o comportamento mais razoável seria o ataque, o qual resultaria na “guerra de todos contra todos”.




John Locke


Em relação a John Locke, vou dispensar as apresentações, pois já foram feitas no post do Alexandre Lindenberg.

O modelo jus naturalista de Locke é semelhante ao de Hobbes: ambos partem do estado de natureza que, pela mediação do contrato social, realiza a passagem para o estado civil. Contudo, existe grande diferença na forma como ele concebe a sua teoria.

Locke já conseguia imaginar um homem que, em seu estado de natureza, vivia em perfeita liberdade e igualdade, algo bem diferente daquele homem imaginado por Hobbes. Só que este estado, relativamente pacífico, não está isento de inconvenientes. A violação da propriedade, por exemplo, na falta de lei estabelecida, de juiz imparcial e de força coercitiva para impor a execução de sentenças, coloca os indivíduos singulares em estado de guerra uns contra os outros.

Por mais que Locke acreditasse que o homem naturalmente vivia em harmonia, ele já vislumbrava que, “ocasionalmente”, as pessoas transgrediriam o direito natural. Sendo todos reis, todos iguais, e, na sua maioria, pouco observadores da equidade e da justiça, a fruição da propriedade seria insegura. Ou seja, “ocasionalmente” o ser humano não era bom e por isto precisava de regulação.



Rousseau


Diferentemente dos outros dois filósofos, Rousseau afirma que a liberdade faz parte da natureza do homem, inspirando, assim, todos os movimentos que visam uma busca pela liberdade. Inclui-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, o Anarquismo, etc.

Ele acredita que um povo só será livre quando tiver todas as condições de elaborar suas leis num clima de igualdade. De tal modo que a obediência a essas leis signifique, na verdade, uma submissão à deliberação de si mesmo e não às vontades de um indivíduo em particular ou de um grupo.

Na sua concepção, o primeiro a cercar um terreno e dizer “Isto é meu”, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil, aquele que deu fundamentos a desigualdade entre os homens. Faltando neste momento alguém para arrancar as estacas, o que teria, assim, evitado muitos crimes, guerras e mortes, porque os frutos são para todos e a terra é de ninguém.

Rousseau acreditava que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. No seu estado de natureza, este homem era harmonioso e tinha três desejos: reprodução, repouso e nutrição e um temor: a dor.




Maquiavel


Embora Maquiavel não fosse contratualista como os outros três filósofos, é interessante, de forma rápida e sucinta, saber o que ele pensa sobre o homem. Para ele, o homem é cheio de qualidades, como “ingrato, volúvel, simulador e covarde”.

A natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos deveriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. O Príncipe deve guiar-se pela necessidade. Além disso, deve “aprender os meios de não ser bom e a fazer o uso ou não das ‘boas qualidades’ conforme as necessidades”, apenas aparentando possuir as qualidades valorizadas pelos governados.

Já que ele acreditava que a política tem ética e lógica própria, diferentes daquelas que regem a vida privada e a religião, a moral convencional pode significar a ruína do Estado.

Para Maquiavel, a natureza humana é caracterizada por atributos negativos e imutáveis (os homens são “ingratos, volúveis, simuladores, covardes [...], ávidos de lucro”). Isto resulta num conflito e anarquia (desdobramentos necessários da natureza humana). Então, o poder político seria a única forma de se evitar o conflito.




“O povo é sempre soberano para mudar suas leis, mesmo as melhores, pois, se for de seu agrado fazer o mal a si mesmo, quem terá o direito de impedi-lo?” Jean-Jacques Rousseau

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O ESTABELECIMENTO DO DIREITO DE PROPRIEDADE: A QUESTÃO DO MAL NO SURGIMENTO DA DESIGUALDADE E DA SOCIEDADE CIVIL
Jean Jacques Rousseau e Pierre Clastres



Nas sábias palavras do grande contratualista genebriano Jean Jacques Rousseau, “o primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: isto me pertence, e encontrou criaturas suficientemente simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Que de crimes, de guerras, de assassinatos, que de misérias e de horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, desarraigando as estacas ou atulhando o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: “guardai-vos de escutar esse impostor! Estais perdidos se vos esqueceis de que os frutos a todos pertencem e de que a terra é de ninguém!”

No esforço para expor a origem e o progresso da desigualdade Rousseau identificou o estabelecimento da lei e do direito de propriedade como o primeiro termo, de sorte que o estado de rico e de pobre foi autorizado nesta primeira época do desenvolvimento da desigualdade.

O direito de propriedade é fruto da convenção e instituição humanas, criado, segundo Rousseau, com o surgimento da sociedade civil, que começada exigia dos homens qualidades diferentes das que eles possuíam de sua constituição primitiva. Começando a moralidade a introduzir-se nas ações humanas, e sendo cada qual , antes das leis, o único juiz e vingador das ofensa recebidas, a bondade conveniente ao estado natural puro não mais convinha à nascente sociedade, que se fazia preciso que as punições se tornassem mais severas à medida que as oportunidades de ofender aumentavam de freqüência; e que, devido ao terror da vingança, se fazia necessário o freio das leis.

Destarte, bastou alguns discursos para seduzir homens grosseiros, fáceis de convencer, e que, de resto, tinha excesso de problemas a resolver entre si para dispensarem árbitros, e excesso de avareza e ambição para se eximirem de senhores.

Tal foi o deveu ser a origem da sociedade e das leis, que segundo Rousseau, criaram novas peias para o fraco e novas forças para o rico, destruíram sem possibilidade de retorno a liberdade natural, fixaram para sempre a ordem da propriedade e da desigualdade, que, de uma astuciosa usurpação, fizeram o direito irrevogável, e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram, daí em diante, todo o gênero humano ao trabalho, à servidão, à miséria.

Apesar de a desigualdade já existir no estado natural ela seria apenas sensível e sua influência era quase nula. Então Rousseau procurou demonstrar a origem e os progressos da desigualdade nos sucessivos desenvolvimentos do espírito humano.

Pierre Clastres, em “A Sociedade Contra o Estado”, reforça a importância desta reflexão, já que, segundo ele, não há dúvida de que uma reflexão ou uma pesquisa sobre a origem da desigualdade, no sentido de que as sociedades primitivas são precisamente sociedades que impedem a diferença hierárquica, possa alimentar uma reflexão do que se passa em nossas sociedades na atualidade.

A questão da obediência exposta por Rousseau é problematizada por Clastres, segundo o qual, é a divisão entre os que comandam e os que obedecem a primeira divisão, aquela que funda todas as outras, ou seja: o Estado. A divisão da sociedade entre os que têm o poder e os que se submetem ao poder.

Tanto Rousseau com Clastres fazem referências a pequenas sociedades para investigar a questão da origem do poder político. A questão da origem da relação de poder, da origem do Estado, para Clastres, é dupla, no sentido de que há uma questão da parte de cima e uma questão da parte de baixo. A questão de cima é: o que faz que em algum lugar, num dado momento, um sujeito diga “sou eu o chefe e vocês vão obedecer”? É a questão do topo da pirâmide. A questão de baixo, da base da pirâmide, é: por que as pessoas aceitam obedecer, quando um sujeito ou um grupo de sujeitos não detêm uma força, uma capacidade de violência suficiente para fazer reinar o terror sobre os outros?

Pierre Clastres, na pesquisa antropológica da chefia indígena, esclarece que nas sociedades primitivas não há nenhuma obrigação, ao menos nas relações sociedade/chefia.O único que tem obrigações é o chefe. Ou seja, é rigorosamente o contrário, o inverso total do que se passa nas sociedades onde há o Estado.

Segundo Clastres, em nossos países, é o contrário; é a sociedade que tem obrigações em relação a quem comanda, o déspota, que não tem nenhuma obrigação, porque ele tem poder. Então, o poder quer dizer precisamente: “As obrigações, agora, não mais são minhas, são de vocês”. Na sociedade primitiva, é exatamente o contrário.

Por fim, pode-se concluir com Rousseau que a desigualdade, sendo quase nula no estado natural, tira sua força e seu acréscimo do desenvolvimento de nossas faculdades e dos progressos do espírito humano, e se torna enfim estável e legítima pelo estabelecimento da propriedade e das leis. Conclui-se ainda que a desigualdade moral, autorizada pelo simples direito positivo, é contrária ao direito natural todas as vezes que não coincide na mesma proporção com a desigualdade física, distinção que determina suficientemente o que se deve pensar a este respeito da sorte de desigualdade reinante entre os povos policiados, uma vez que é claramente contrário à lei natural, não importa a maneira por que se defina, um imbecil conduzir um sábio, e um punhado de gente extravasar superfluidades, enquanto à multidão esfaimada falta o necessário.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O mal após a Segunda Guerra Mundial

No dia 15 de setembro, na Casa Fiat de Cultura, prosseguiu o Ciclo "Mutações: a experiência do pensamento", com Jean-Pierre Dupuy, Professor Filosofia na Escola Politécnica de Paris e na Universidade de Stanford, falando sobre "Pensar o mal hoje: de Auschwitz a Hiroshima até o fim do mundo".

O mal está tradicionalmente relacionado com a intenção de quem o comete. Os horrores do século 20 deveriam ter-nos ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso possa ser causado por uma completa ausência de malignidade; que uma responsabilidade monstruosa possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções. Nós tivemos a trágica experiência disso, mas ainda nos falta pensá-lo. "Pensar o mal hoje: de Auschwitz a Hiroshima até o fim do mundo" tratou sobre isso.

Na concepção judaico cristã, se não houver a intenção de se fazer o mal, este não se configura, mas os horrores do século XX nos fazem refletir sobre essa questão e percebermos que também existe mal na ausência de intenção.

Existe a expressão thoughtlessness, que, segundo Jean-Pierre, não existe tradução para a língua portuguesa, mas se aproxima do significado de dupla incapacidade ou visão limitada. Em Auschwitz, por exemplo, havia pessoas que ao praticarem suas funções, as executavam sem a intenção de cometer o mal, seguiam ordens dos superiores.

O mal justificado não é concebido como tal para muitos, o que leva ao sursis (suspensão da pena). Uma demonstração é o caso de Hiroshima e Nagasaki em que os Estados Unidos da América, por terem vencido, não foram condenados por crime de guerra. Fica o questionamento do que ocorreria caso perdessem. Para os EUA, lançar as bombas foi um “mal necessário” porque se não o fizessem perderiam aproximadamente meio milhão de soldados. É um argumento consequencialista em que as normas morais apagam-se diante o cálculo das conseqüências.

Em 11 de setembro de 2001, Bin Laden no ataque às torres gêmeas, seguiu o princípio da reciprocidade (“quem começou foram os Norte Americanos, sem distinção de militares, mulheres ou crianças”), em vingança às bombas atômicas e a outros fatos. A partir dos os ataques em Hiroshima e Nagasaki os princípios da guerra justa foram ignorados.

Gunther Anders, filósofo, judeu, que foi casado com Hannah Arendt, afirma que o mal moral se torna grande demais para os homens que o fazem. Já para Kant, “o mal nunca é radical”, sendo extremo, e que não há nada a entender do mal.

Hoje, alguns países possuem arsenal atômico, o que pode destruir o mundo rapidamente. Inicialmente, criaram esse arsenal para intimidar países que poderiam ou podem entrar em conflito, mas se algum país tomar o ponto de partida e utilizar essas armas, poderá desencadear a extinção humana. As bombas de Hiroshima e Nagasaki são exemplos de intimidação que os Estados Unidos da América exerceram não somente sobre os Japoneses. Se houvesse alguma revidação em alguma parte do mundo, não restaria a humanidade.

Por fim, resta afirmar que em 06/08/1945, data do primeiro ataque nuclear, iniciou-se a última fase humana, a história se torna obsoleta, pois já se verificou que a humanidade se auto destrói, e o que podemos fazer é somente adiar o apocalípse.

domingo, 11 de outubro de 2009


Então, qual é o pior pecado? Responda a enquete do blog!

Quando o amor se torna pecado: PEDOFILIA

Luxúria é o pecado pela desmedida, pelo excesso de males advindos da sexualidade, é o desvirtuamento do sexo. Este pecado quer ser todo desejo, usar desmedidamente toda a liberdade, transformar toda sexualidade em fome de carne.
São Tomas de Aquino , classificava a luxúria como o pecado que contraria o bom senso e a razão, originando a fornicação excessiva, a agressão contra os princípios da castidade, o adultério entre os casais, e o incesto entre os membros da família.
A força propulsora da luxúria é o desejo, e a sedução o seu mecanismo mais eficiente de convencimento. Mas até que ponto chega o desejo?

“Professor pedófilo oferecia dinheiro para as vítimas em troca de acariciá-las e deixassem que ele praticasse sexo oral. As crianças acrescentaram que isso ocorria principalmente na casa dele e também na escola. Colegas de profissão ficaram assustados com a notícia, uma vez que nunca desconfiaram. Uma das vítimas, uma menina de nove anos, relatou à delegada que o professor chegou a mostrar o pênis e pegava no bumbum deles. Na lista incluiria um menino de oito anos. A mãe desse menino confirmou à delegada que o garoto não queria mais estudar. Ao insistir sobre o motivo, ele contou à mãe, que ficou horrorizada e também procurou a polícia.”

Assim como esse marcante caso de pedofilia que aconteceu no Espírito Santo podemos encontrar inúmeros relatos de crianças abusadas por pai, mãe, parentes, pessoas próximas, líderes religiosos, entre outros. Pedofilia é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes.
No Brasil os números são alarmantes: “76% dos sites pedófilos de todo o mundo estão concentrados no Brasil; cerca de mil novos sites pornográficos com crianças e adolescentes são criados a cada mês no Brasil; 52% dos crimes de pedofilia são praticados contra crianças de 9 a 13 anos e 12% contra bebês de zero a três meses de idade; no primeiro trimestre de 2008, segundo a SaferNet, denúncias contra pedofilia saltaram de 35.464 para 48.129 no Brasil, comparadas ao mesmo período do ano passado;O Orkut, rede mantida pelo Google, é responsável por 90% das denúncias de pornografia infantil na internet". (Revista Visão Jurídica, número 26)
O abuso sexual infantil é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde pública, devido aos altos índices de incidência e as sérias conseqüências para o desenvolvimento da vítima e de sua família. Os efeitos ao ser em formação são incalculáveis, podendo causar danos permanentes ao indivíduo.

"...O meu maior sonho quando mais jovem, era aguardar que o verme viesse a falecer, para que eu pudesse, ir a seu túmulo, e lá vomitar, escarrar, urinar e defecar em seu túmulo, para poder me livrar um pouco do mau cheiro que me perseguia por tanto tempo..."


Vale ressaltar que o distúrbio psicológico pode ser tamanho que há casos em que a criança abusada quando adulta desenvolve o mesmo desejo de abusar de crianças.




É RESPONSABILIDADE DE TODOS DEFENDER A INFÂNCIA DAS CRIANÇAS INSERIDAS NA NOSSA SOCIEDADE.



DENUNCIE



As denúncias de pedofilia podem ser feitas em locais como a Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar de cada Estado. Com uma ligação anônima, é possível fazer uma denúncia pelo número "Disque 100"












Um terrorista sequestra 20 pessoas em um shopping e as esconde dentro de uma sala. Nesta sala os reféns encontram-se amarrados à explosivos de grande capacidade destrutiva. Os agentes policiais recebendo o chamado prontamente se dirigem ao shopping. Ao chegar ao local estabelecem contato com o terrorista, que demanda várias exigências a serem cumpridas para a liberação dos reféns vivos, entretanto em nenhum momento conseguem ver quem está ao telefone. O comandante da operação dada a situação de grande perigo decide ordenar a invasão e acaba por prender um rapaz com as mesmas características que foram apresentadas na ligação anônima denunciando o delito, entretanto não encontram os reféns. Posteriormente a captura, começam então os policiais a perguntar ao rapaz aonde estavam os reféns. Nenhuma resposta é encontrada, uma vez que o rapaz recusava a dar as informações, sob a alegação de que não era o terrorista e portanto não sabia a localização do cativeiro. O comandante diante das alegações do jovem tenta estabelecer contato com o telefone, o qual antes o terrorista vinha utilizando, mas a ligação não é atendida. Tendo em vista o prazo estabelecido pelo terrorista, a situação começa a se agravar diante da iminente explosão caso não sejam encontrados os reféns. O Comandante nesse momento se depara com um dilema moral, filosófico e legal:

Deve torturar o rapaz em busca das informações abandonando assim o respeito à dignidade humana, sobrepondo o comunitarismo em face do liberalismo, ou até mesmo praticando um ato ilegal, que resultará na salvação de muitas outras vidas? O que você faria?

Em que momento um ser humano realizou o ato mais cruel?

Qual é o pior dos sete pecados capitais?

Qual sua opinião a respeito da legalização do uso de drogas?