quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Homem, a raiz do mal.

Depois do post da Gabriela Freire me senti atraído para escrever um pouco sobre o estado de natureza de acordo com as idéias de alguns filósofos. A partir das concepções destes é possível visualizar que a origem do mal pode estar intimamente ligada à existência humana.


Hobbes


Inicio por Hobbes, um daqueles filósofos que afirmavam que a origem do Estado e/ou da sociedade é baseada num contrato. Os homens viveriam naturalmente sem poder e sem organização, a qual só surgiria depois de firmado um pacto por eles, estabelecendo, assim, as regras de convívio social e de subordinação política.

Para ele, quando não há um Estado controlador e repressor, o mais racional a se fazer é a guerra contra o outro, porque o homem sempre está a desconfiar do seu semelhante. Ele cita: “Se alguém planta, ou possui um lugar conveniente, é provável de se esperar que outros venham preparados para desapossá-los e privá-lo, não apenas do fruto do seu trabalho, mas também de sua vida e sua liberdade. E já que os homens são absolutamente iguais o invasor ficará no mesmo perigo em relação aos outros”.

Para este contratualista, o homem está geralmente em discórdia por causa da competição, a qual o leva a atacar o outro, visando o lucro. Além disso, está preocupado com a sua própria segurança e com sua reputação. Ou seja, enquanto não se tem um Estado, os homens não podem tirar prazer da companhia do outro, porque ainda não existe poder capaz de manter a todos em respeito. Assim, eles se encontram naquela condição a que se chama de guerra: todos contra todos.

Esta visão, chocante, é contrária aquela de Aristóteles, na qual o homem vive naturalmente em sociedade. Hobbes fundamenta que, se alguém confiasse tanto no outro homem, não fecharia a porta, mesmo quando está em casa e sabendo que existem leis e policias armados prontos para “vingar” qualquer injúria. Ou esta desconfiança seria acusar a humanidade?

Assim, as ideias de Hobbes resumem-se: na imutabilidade da Natureza humana, a qual não muda com o tempo, história ou vida social; na igualdade natural dos homens quanto às faculdades do corpo e do espírito; e na ideia de que o comportamento mais razoável seria o ataque, o qual resultaria na “guerra de todos contra todos”.




John Locke


Em relação a John Locke, vou dispensar as apresentações, pois já foram feitas no post do Alexandre Lindenberg.

O modelo jus naturalista de Locke é semelhante ao de Hobbes: ambos partem do estado de natureza que, pela mediação do contrato social, realiza a passagem para o estado civil. Contudo, existe grande diferença na forma como ele concebe a sua teoria.

Locke já conseguia imaginar um homem que, em seu estado de natureza, vivia em perfeita liberdade e igualdade, algo bem diferente daquele homem imaginado por Hobbes. Só que este estado, relativamente pacífico, não está isento de inconvenientes. A violação da propriedade, por exemplo, na falta de lei estabelecida, de juiz imparcial e de força coercitiva para impor a execução de sentenças, coloca os indivíduos singulares em estado de guerra uns contra os outros.

Por mais que Locke acreditasse que o homem naturalmente vivia em harmonia, ele já vislumbrava que, “ocasionalmente”, as pessoas transgrediriam o direito natural. Sendo todos reis, todos iguais, e, na sua maioria, pouco observadores da equidade e da justiça, a fruição da propriedade seria insegura. Ou seja, “ocasionalmente” o ser humano não era bom e por isto precisava de regulação.



Rousseau


Diferentemente dos outros dois filósofos, Rousseau afirma que a liberdade faz parte da natureza do homem, inspirando, assim, todos os movimentos que visam uma busca pela liberdade. Inclui-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, o Anarquismo, etc.

Ele acredita que um povo só será livre quando tiver todas as condições de elaborar suas leis num clima de igualdade. De tal modo que a obediência a essas leis signifique, na verdade, uma submissão à deliberação de si mesmo e não às vontades de um indivíduo em particular ou de um grupo.

Na sua concepção, o primeiro a cercar um terreno e dizer “Isto é meu”, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil, aquele que deu fundamentos a desigualdade entre os homens. Faltando neste momento alguém para arrancar as estacas, o que teria, assim, evitado muitos crimes, guerras e mortes, porque os frutos são para todos e a terra é de ninguém.

Rousseau acreditava que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. No seu estado de natureza, este homem era harmonioso e tinha três desejos: reprodução, repouso e nutrição e um temor: a dor.




Maquiavel


Embora Maquiavel não fosse contratualista como os outros três filósofos, é interessante, de forma rápida e sucinta, saber o que ele pensa sobre o homem. Para ele, o homem é cheio de qualidades, como “ingrato, volúvel, simulador e covarde”.

A natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos deveriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. O Príncipe deve guiar-se pela necessidade. Além disso, deve “aprender os meios de não ser bom e a fazer o uso ou não das ‘boas qualidades’ conforme as necessidades”, apenas aparentando possuir as qualidades valorizadas pelos governados.

Já que ele acreditava que a política tem ética e lógica própria, diferentes daquelas que regem a vida privada e a religião, a moral convencional pode significar a ruína do Estado.

Para Maquiavel, a natureza humana é caracterizada por atributos negativos e imutáveis (os homens são “ingratos, volúveis, simuladores, covardes [...], ávidos de lucro”). Isto resulta num conflito e anarquia (desdobramentos necessários da natureza humana). Então, o poder político seria a única forma de se evitar o conflito.




“O povo é sempre soberano para mudar suas leis, mesmo as melhores, pois, se for de seu agrado fazer o mal a si mesmo, quem terá o direito de impedi-lo?” Jean-Jacques Rousseau

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O ESTABELECIMENTO DO DIREITO DE PROPRIEDADE: A QUESTÃO DO MAL NO SURGIMENTO DA DESIGUALDADE E DA SOCIEDADE CIVIL
Jean Jacques Rousseau e Pierre Clastres



Nas sábias palavras do grande contratualista genebriano Jean Jacques Rousseau, “o primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: isto me pertence, e encontrou criaturas suficientemente simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Que de crimes, de guerras, de assassinatos, que de misérias e de horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, desarraigando as estacas ou atulhando o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: “guardai-vos de escutar esse impostor! Estais perdidos se vos esqueceis de que os frutos a todos pertencem e de que a terra é de ninguém!”

No esforço para expor a origem e o progresso da desigualdade Rousseau identificou o estabelecimento da lei e do direito de propriedade como o primeiro termo, de sorte que o estado de rico e de pobre foi autorizado nesta primeira época do desenvolvimento da desigualdade.

O direito de propriedade é fruto da convenção e instituição humanas, criado, segundo Rousseau, com o surgimento da sociedade civil, que começada exigia dos homens qualidades diferentes das que eles possuíam de sua constituição primitiva. Começando a moralidade a introduzir-se nas ações humanas, e sendo cada qual , antes das leis, o único juiz e vingador das ofensa recebidas, a bondade conveniente ao estado natural puro não mais convinha à nascente sociedade, que se fazia preciso que as punições se tornassem mais severas à medida que as oportunidades de ofender aumentavam de freqüência; e que, devido ao terror da vingança, se fazia necessário o freio das leis.

Destarte, bastou alguns discursos para seduzir homens grosseiros, fáceis de convencer, e que, de resto, tinha excesso de problemas a resolver entre si para dispensarem árbitros, e excesso de avareza e ambição para se eximirem de senhores.

Tal foi o deveu ser a origem da sociedade e das leis, que segundo Rousseau, criaram novas peias para o fraco e novas forças para o rico, destruíram sem possibilidade de retorno a liberdade natural, fixaram para sempre a ordem da propriedade e da desigualdade, que, de uma astuciosa usurpação, fizeram o direito irrevogável, e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram, daí em diante, todo o gênero humano ao trabalho, à servidão, à miséria.

Apesar de a desigualdade já existir no estado natural ela seria apenas sensível e sua influência era quase nula. Então Rousseau procurou demonstrar a origem e os progressos da desigualdade nos sucessivos desenvolvimentos do espírito humano.

Pierre Clastres, em “A Sociedade Contra o Estado”, reforça a importância desta reflexão, já que, segundo ele, não há dúvida de que uma reflexão ou uma pesquisa sobre a origem da desigualdade, no sentido de que as sociedades primitivas são precisamente sociedades que impedem a diferença hierárquica, possa alimentar uma reflexão do que se passa em nossas sociedades na atualidade.

A questão da obediência exposta por Rousseau é problematizada por Clastres, segundo o qual, é a divisão entre os que comandam e os que obedecem a primeira divisão, aquela que funda todas as outras, ou seja: o Estado. A divisão da sociedade entre os que têm o poder e os que se submetem ao poder.

Tanto Rousseau com Clastres fazem referências a pequenas sociedades para investigar a questão da origem do poder político. A questão da origem da relação de poder, da origem do Estado, para Clastres, é dupla, no sentido de que há uma questão da parte de cima e uma questão da parte de baixo. A questão de cima é: o que faz que em algum lugar, num dado momento, um sujeito diga “sou eu o chefe e vocês vão obedecer”? É a questão do topo da pirâmide. A questão de baixo, da base da pirâmide, é: por que as pessoas aceitam obedecer, quando um sujeito ou um grupo de sujeitos não detêm uma força, uma capacidade de violência suficiente para fazer reinar o terror sobre os outros?

Pierre Clastres, na pesquisa antropológica da chefia indígena, esclarece que nas sociedades primitivas não há nenhuma obrigação, ao menos nas relações sociedade/chefia.O único que tem obrigações é o chefe. Ou seja, é rigorosamente o contrário, o inverso total do que se passa nas sociedades onde há o Estado.

Segundo Clastres, em nossos países, é o contrário; é a sociedade que tem obrigações em relação a quem comanda, o déspota, que não tem nenhuma obrigação, porque ele tem poder. Então, o poder quer dizer precisamente: “As obrigações, agora, não mais são minhas, são de vocês”. Na sociedade primitiva, é exatamente o contrário.

Por fim, pode-se concluir com Rousseau que a desigualdade, sendo quase nula no estado natural, tira sua força e seu acréscimo do desenvolvimento de nossas faculdades e dos progressos do espírito humano, e se torna enfim estável e legítima pelo estabelecimento da propriedade e das leis. Conclui-se ainda que a desigualdade moral, autorizada pelo simples direito positivo, é contrária ao direito natural todas as vezes que não coincide na mesma proporção com a desigualdade física, distinção que determina suficientemente o que se deve pensar a este respeito da sorte de desigualdade reinante entre os povos policiados, uma vez que é claramente contrário à lei natural, não importa a maneira por que se defina, um imbecil conduzir um sábio, e um punhado de gente extravasar superfluidades, enquanto à multidão esfaimada falta o necessário.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O mal após a Segunda Guerra Mundial

No dia 15 de setembro, na Casa Fiat de Cultura, prosseguiu o Ciclo "Mutações: a experiência do pensamento", com Jean-Pierre Dupuy, Professor Filosofia na Escola Politécnica de Paris e na Universidade de Stanford, falando sobre "Pensar o mal hoje: de Auschwitz a Hiroshima até o fim do mundo".

O mal está tradicionalmente relacionado com a intenção de quem o comete. Os horrores do século 20 deveriam ter-nos ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso possa ser causado por uma completa ausência de malignidade; que uma responsabilidade monstruosa possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções. Nós tivemos a trágica experiência disso, mas ainda nos falta pensá-lo. "Pensar o mal hoje: de Auschwitz a Hiroshima até o fim do mundo" tratou sobre isso.

Na concepção judaico cristã, se não houver a intenção de se fazer o mal, este não se configura, mas os horrores do século XX nos fazem refletir sobre essa questão e percebermos que também existe mal na ausência de intenção.

Existe a expressão thoughtlessness, que, segundo Jean-Pierre, não existe tradução para a língua portuguesa, mas se aproxima do significado de dupla incapacidade ou visão limitada. Em Auschwitz, por exemplo, havia pessoas que ao praticarem suas funções, as executavam sem a intenção de cometer o mal, seguiam ordens dos superiores.

O mal justificado não é concebido como tal para muitos, o que leva ao sursis (suspensão da pena). Uma demonstração é o caso de Hiroshima e Nagasaki em que os Estados Unidos da América, por terem vencido, não foram condenados por crime de guerra. Fica o questionamento do que ocorreria caso perdessem. Para os EUA, lançar as bombas foi um “mal necessário” porque se não o fizessem perderiam aproximadamente meio milhão de soldados. É um argumento consequencialista em que as normas morais apagam-se diante o cálculo das conseqüências.

Em 11 de setembro de 2001, Bin Laden no ataque às torres gêmeas, seguiu o princípio da reciprocidade (“quem começou foram os Norte Americanos, sem distinção de militares, mulheres ou crianças”), em vingança às bombas atômicas e a outros fatos. A partir dos os ataques em Hiroshima e Nagasaki os princípios da guerra justa foram ignorados.

Gunther Anders, filósofo, judeu, que foi casado com Hannah Arendt, afirma que o mal moral se torna grande demais para os homens que o fazem. Já para Kant, “o mal nunca é radical”, sendo extremo, e que não há nada a entender do mal.

Hoje, alguns países possuem arsenal atômico, o que pode destruir o mundo rapidamente. Inicialmente, criaram esse arsenal para intimidar países que poderiam ou podem entrar em conflito, mas se algum país tomar o ponto de partida e utilizar essas armas, poderá desencadear a extinção humana. As bombas de Hiroshima e Nagasaki são exemplos de intimidação que os Estados Unidos da América exerceram não somente sobre os Japoneses. Se houvesse alguma revidação em alguma parte do mundo, não restaria a humanidade.

Por fim, resta afirmar que em 06/08/1945, data do primeiro ataque nuclear, iniciou-se a última fase humana, a história se torna obsoleta, pois já se verificou que a humanidade se auto destrói, e o que podemos fazer é somente adiar o apocalípse.

domingo, 11 de outubro de 2009


Então, qual é o pior pecado? Responda a enquete do blog!

Quando o amor se torna pecado: PEDOFILIA

Luxúria é o pecado pela desmedida, pelo excesso de males advindos da sexualidade, é o desvirtuamento do sexo. Este pecado quer ser todo desejo, usar desmedidamente toda a liberdade, transformar toda sexualidade em fome de carne.
São Tomas de Aquino , classificava a luxúria como o pecado que contraria o bom senso e a razão, originando a fornicação excessiva, a agressão contra os princípios da castidade, o adultério entre os casais, e o incesto entre os membros da família.
A força propulsora da luxúria é o desejo, e a sedução o seu mecanismo mais eficiente de convencimento. Mas até que ponto chega o desejo?

“Professor pedófilo oferecia dinheiro para as vítimas em troca de acariciá-las e deixassem que ele praticasse sexo oral. As crianças acrescentaram que isso ocorria principalmente na casa dele e também na escola. Colegas de profissão ficaram assustados com a notícia, uma vez que nunca desconfiaram. Uma das vítimas, uma menina de nove anos, relatou à delegada que o professor chegou a mostrar o pênis e pegava no bumbum deles. Na lista incluiria um menino de oito anos. A mãe desse menino confirmou à delegada que o garoto não queria mais estudar. Ao insistir sobre o motivo, ele contou à mãe, que ficou horrorizada e também procurou a polícia.”

Assim como esse marcante caso de pedofilia que aconteceu no Espírito Santo podemos encontrar inúmeros relatos de crianças abusadas por pai, mãe, parentes, pessoas próximas, líderes religiosos, entre outros. Pedofilia é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes.
No Brasil os números são alarmantes: “76% dos sites pedófilos de todo o mundo estão concentrados no Brasil; cerca de mil novos sites pornográficos com crianças e adolescentes são criados a cada mês no Brasil; 52% dos crimes de pedofilia são praticados contra crianças de 9 a 13 anos e 12% contra bebês de zero a três meses de idade; no primeiro trimestre de 2008, segundo a SaferNet, denúncias contra pedofilia saltaram de 35.464 para 48.129 no Brasil, comparadas ao mesmo período do ano passado;O Orkut, rede mantida pelo Google, é responsável por 90% das denúncias de pornografia infantil na internet". (Revista Visão Jurídica, número 26)
O abuso sexual infantil é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde pública, devido aos altos índices de incidência e as sérias conseqüências para o desenvolvimento da vítima e de sua família. Os efeitos ao ser em formação são incalculáveis, podendo causar danos permanentes ao indivíduo.

"...O meu maior sonho quando mais jovem, era aguardar que o verme viesse a falecer, para que eu pudesse, ir a seu túmulo, e lá vomitar, escarrar, urinar e defecar em seu túmulo, para poder me livrar um pouco do mau cheiro que me perseguia por tanto tempo..."


Vale ressaltar que o distúrbio psicológico pode ser tamanho que há casos em que a criança abusada quando adulta desenvolve o mesmo desejo de abusar de crianças.




É RESPONSABILIDADE DE TODOS DEFENDER A INFÂNCIA DAS CRIANÇAS INSERIDAS NA NOSSA SOCIEDADE.



DENUNCIE



As denúncias de pedofilia podem ser feitas em locais como a Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar de cada Estado. Com uma ligação anônima, é possível fazer uma denúncia pelo número "Disque 100"












sábado, 10 de outubro de 2009

O outro lado da gula: a bulimia

Comer e beber é essencial não só para a saúde humana, já que o homem precisa se alimentar para sobreviver, mas também para a sua alegria, na medida em que é um prazer. Na antiguidade, as pessoas se reuniam para comer e celebrar, essa situação é até mesmo retratada no livro O Banquete, de Platão, contexto em que é feita uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor. Além disso, Sócrates era um bebedor de renome, conhecido por permanecer sóbrio mesmo quando todos os outros já estavam completamente embriagados, o que era possível porque o filósofo afirmava conhecer seus limites e nunca ultrapassá-los, podendo ser considerado como personificação da virtude da temperança, que se opõe à gula.

A gula, que pode ser caracterizada pela busca inconstante e incontrolável de prazer no beber e no comer, começou a ser encarada como preocupação social apenas a partir do século VI e sua fama como pecado foi imposta pelo Papa Gregório Magno; combatia-se o culto aos prazeres da boa mesa para evitar a fome em massa e o paganismo.

Hoje o objetivo é mostrar um outro lado desse pecado capital: a bulimia. Nos casos de bulimia nervosa, a gula é levada ao extremo; a pessoa tem episódios freqüentes de ingestão alimentar compulsiva e, logo depois, a falta de controle sobre o comportamento de comer faz com que o indivíduo se sinta culpado e, para compensar o exagero, faça longos períodos de jejum, induza vômitos, use laxantes, diuréticos e pratique exercícios físicos de forma excessiva.

Freud, criador da psicanálise, concluiu que a vontade de comer e o desejo por sexo são controlados pelo mesmo comando cerebral; o impulso nervoso que ativa a fome seria o mesmo que desperta a libido. Entretanto, a sociedade vem impondo padrões de beleza cada dia mais difíceis de serem alcançados por meio de uma alimentação saudável e balanceada. Na busca pelo corpo ideal, homens e mulheres recorrem a métodos cada vez mais extremos e perigosos para a sua saúde, que podem até mesmo levar a morte. Na sociedade contemporânea, comer deixou de ser um prazer, se tornando uma simples necessidade corporal que, para alguns, deveria até mesmo ser dispensável.



Mas não será que o pior pecado é a Luxúria?


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Avareza como base da atual política e sociedade


Quando se abre o jornal, o que mais se vê são escândalos políticos em que se observam os nossos representantes usando de seu cargo, sua posição, para ganhar vantagens. Ou quem não se lembra do escândalo dos atos secretos, ou o dos cartões corporativos, ou ate mesmo do mensalão, sem falar nos outros pelos quais o país já passou e os que ainda não foram descobertos? Vive-se hoje no Brasil a era da avareza na política, já que o que se vê em nossos representantes é uma desordenada ambição pelo dinheiro e uma cobiça por quaisquer bens.

Os políticos se esqueceram do porquê de eles terem sido colocados no poder, que é o fato de que eles devem agir de acordo com o que for melhor para a população. Entretanto, o que se observa é uma grande disparidade – por um lado, cortes feitos para investimento nas áreas básicas como saúde, educação, saneamento básico, habitação; por outro, a máquina pública gastando cada vez mais consigo mesma como, por exemplo, as inúmeras vantagens que o nosso senado recebe como auxílio moradia, verbas-indenizatórias, serviços gráficos, entre outros.

São Tomás de Aquino, em seu livro De Malo, questão 13, artigo três, fala que a avareza possui sete filhas: a traição, a fraude, a mentira, o perjúrio, a inquietude, a violência e a dureza de coração. Por exemplo, ao se preocupar tanto com os bens materiais, você começa a desconsiderar o outro, o que faz você ter dureza de coração. Ou quando você só pensa naqueles bens e sua vida fica em função de protegê-los para ninguém roubá-los, você fica inquieto. E como você vai conseguir esses bens: por meio da fraude, mentira, se for juramento, perjúrio e até mesmo pela violência.

É assustador ver, muitas vezes, os nossos políticos fazendo uso dessas filhas da avareza, e o que se observa com maior apreensão, é que esses são muitas vezes reflexo da atual sociedade em que o dinheiro e os bens têm prioridade em face do próprio ser humano e o que se tem é um mundo em que “ninguém está nem ai pra ninguém”, o importante é: eu enriquecer nem que pra isso eu tenho que destruir o outro.

A solução é simples: os políticos em vez de se preocuparem em se beneficiar, deveriam se preocupar em procurar melhorar as condições da população, essa também deve se lembrar que o mundo não é só ganhar, mas também de doar, de ser generoso, de pensar muitas vezes no seu vizinho. Temos que procurar um meio termo, senão, não só politicamente, o que já está ocorrendo, mas socialmente vamos ser extintos.

Mas a gula não seria pior?


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A preguiça na história da humanidade



Na Grécia antiga, o ócio era mais valorizado que o trabalho, sendo considerado como algo a ser alcançado e desfrutado. Segundo Aristóteles, o ócio era o estado de estar livre da necessidade de trabalhar; e a capacidade de vivê-lo devidamente era a base do homem livre e feliz. A idéia de ócio, na cultura grega, permitiu a divisão da sociedade em duas classes de homens: os escravos e os dedicados à arte, à contemplação ou à guerra. Ao homem de pensamento, era reservado o tempo livre, o ócio com dignidade, utilizado para a elevação e emancipação, para a contemplação do belo, para a discussão em torno do útil e do justo. Aos escravos, que não eram considerados como pessoas, era reservado todo o trabalho. Portanto, a organização e comando da polis cabiam aos cidadãos, que eram proibidos de exercer o trabalho braçal, pois eles deveriam ter tempo livre, para se dedicar à reflexão e ao exercício da cidadania do bom-governo.
Contrário à cultura grega, o Catolicismo, melhor expresso pelas idéias de São Tomás de Aquino, classificou a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizando-a como estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, aversão ao trabalho freqüentemente associada ao ócio, vadiagem. Na Bíblia Sagrada, principalmente no livro de Provérbios, constatam-se várias orientações para evitar a preguiça.
Com a reforma protestante, apesar dos questionamentos contra a Igreja Católica, João Calvino e Martinho Lutero resgataram o conceito cristão de trabalho, afirmando que o homem teria a responsabilidade de cumprir a sua vocação por meio dele. De acordo com Calvino, “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus.”
Na tentativa de relacionar os ideais protestantes com a gênese do espírito capitalista, Max Weber afirmou que a consideração do trabalho como o mais alto instrumento de ascensão e o mais seguro meio de preservação da redenção da fé e do homem deve ter sido a mais poderosa alavanca da expressão dessa concepção de vida constituída pelo capitalismo.
Verifica-se, com base nessa breve análise histórica, que o trabalho foi sendo defendido em detrimento da preguiça com o passar dos anos e dos ideais que rondavam as sociedades. Nos dias de hoje, essa valorização do trabalho persiste e o preguiçoso, que não trabalha ou não desenvolve com empenho o seu trabalho, é visto como “vagabundo”.
Atualmente, é complicado concluir que a preguiça é o maior mal da humanidade. Apesar de ela causar lentidão no desenvolvimento das atividades da sociedade, como por exemplo, a morosidade processual, que segundo alguns advogados, é causada pela preguiça dos juízes; o trabalho também pode ser visto como um mal quando se constata que ele é a causa das misérias individuais e sociais vividas pela humanidade.

Preguiça...comum, mas o pior? E a avareza?
Um terrorista sequestra 20 pessoas em um shopping e as esconde dentro de uma sala. Nesta sala os reféns encontram-se amarrados à explosivos de grande capacidade destrutiva. Os agentes policiais recebendo o chamado prontamente se dirigem ao shopping. Ao chegar ao local estabelecem contato com o terrorista, que demanda várias exigências a serem cumpridas para a liberação dos reféns vivos, entretanto em nenhum momento conseguem ver quem está ao telefone. O comandante da operação dada a situação de grande perigo decide ordenar a invasão e acaba por prender um rapaz com as mesmas características que foram apresentadas na ligação anônima denunciando o delito, entretanto não encontram os reféns. Posteriormente a captura, começam então os policiais a perguntar ao rapaz aonde estavam os reféns. Nenhuma resposta é encontrada, uma vez que o rapaz recusava a dar as informações, sob a alegação de que não era o terrorista e portanto não sabia a localização do cativeiro. O comandante diante das alegações do jovem tenta estabelecer contato com o telefone, o qual antes o terrorista vinha utilizando, mas a ligação não é atendida. Tendo em vista o prazo estabelecido pelo terrorista, a situação começa a se agravar diante da iminente explosão caso não sejam encontrados os reféns. O Comandante nesse momento se depara com um dilema moral, filosófico e legal:

Deve torturar o rapaz em busca das informações abandonando assim o respeito à dignidade humana, sobrepondo o comunitarismo em face do liberalismo, ou até mesmo praticando um ato ilegal, que resultará na salvação de muitas outras vidas? O que você faria?

Em que momento um ser humano realizou o ato mais cruel?

Qual é o pior dos sete pecados capitais?

Qual sua opinião a respeito da legalização do uso de drogas?